Os professores do ensino superior exigem ser incluídos nos grupos prioritários da vacina contra a covid-19, referindo que os docentes são um grupo envelhecido e os seus alunos pertencem ao grupo com maior incidência de casos.

Sentimos uma total incompreensão que o ensino superior não seja incluído no plano de vacinação previsto para os professores e funcionários do ensino obrigatório”, disse à Lusa a presidente do Sindicato Nacional do Ensino Superior, Mariana Gaio Alves.

No fim de semana arranca a vacinação dos docentes e pessoal não docente dos estabelecimentos de ensino pré-escolar e 1.º ciclo, seguindo-se - a 10 e 11 de abril - a vacinação dos restantes níveis de ensino obrigatório.  

No total, o plano prevê vacinar cerca de 280 mil pessoas, deixando de fora quem trabalha nas universidades e institutos politécnicos.

A presidente do SNESup lembrou que é entre os jovens que se registam atualmente mais casos de infeção e que são também os jovens que, maioritariamente, frequenta o ensino superior.

Mariana Gaio Alves referia-se à nova tendência nas infeções divulgada hoje por especialistas, que revelaram que o grupo etário com mais casos passou a ser o das pessoas com idades entre os 20 e os 30 anos.

Por outro lado, acrescentou, os professores do ensino superior também têm uma média etária bastante elevada: “15% têm mais de 60 anos e 63% têm entre 40 e 60 anos”.

Por isso, a exclusão do ensino superior “é incompreensível”, criticou Mariana Gaio Alves, apontando que no ensino superior há aulas práticas, há turmas de grandes dimensões e há manipulação de instrumentos nas aulas de laboratório.

As salas de aula podem ser maiores do que as do ensino obrigatório, mas, alertou, “há turmas com centenas de alunos”.

No início do ano letivo, quando as aulas ainda eram presenciais, as instituições tomaram medidas preventivas como o desdobramento de turmas ou a higienização dos espaços, mas o SNESup entende que agora se chegou a uma “nova fase: a da testagem e vacinação”.

Quem trabalha no ensino superior não percebe porque é que não foram incluídos no plano de vacinação que abrange cerca de 280 mil professores e funcionários do ensino obrigatório.

O SNESup já escreveu à Direção-Geral da Saúde, ao Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) e ao Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos (CCISP) pedindo ação.

Além disso, acrescentou Mariana Gaio Alves, está em vigor a “greve por tempo indeterminado a pensar em quem sente que não tem condições para dar aulas porque não estão reunidas as condições de segurança”.

Quando as aulas presenciais forem retomadas, a 19 de abril, alguns docentes poderão aderir a esta greve, alertou a presidente do SNESup.

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