Quase uma centena de professores manifestaram-se esta quinta-feira no Largo da Ajuda, em Lisboa, pela alteração da atual carreira docente e pelo desbloqueio das negociações com a tutela, à qual apresentaram quatro propostas negociais nos últimos dois anos.

No dia em que se realizou o quarto e último protesto convocado este mês pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof), o secretário-geral, Mário Nogueira, disse à Lusa que existe há cerca de três anos um “completo bloqueio de diálogo com o Ministério da Educação sobre o que afeta dos professores”

Defendendo que esta “situação degrada a carreira docente”, o dirigente sindical afirmou que hoje vão avançar com um pedido formal para ter uma reunião urgente com o primeiro-ministro.

“Não é possível que um Governo que diz reger-se pelas normas da democracia estar há anos sem discutir e negociar com os professores”, frisou.

Relativamente à carreira docente, Mário Nogueira defendeu que “não tem qualquer tipo de lógica e está aldrabada”, pois “dois professores que começaram a trabalhar no mesmo dia estão em situações completamente diferentes” dado que alguns “são apanhados em escalões com vagas limitadas e ficam presos sem sentido”.

“Isto faz com que professores que deviam estar no topo da carreira estejam a meio, sendo que, para muitos, chegar ao topo já não é possível devido à reforma obrigatória aos 70 anos”, explicou.

Nesta situação encontra-se Carla Pinto, professora no Agrupamento de Escolas Esmoriz - Ovar Norte que, com 34 anos de serviço, está no sexto escalão quando tem colegas com o mesmo tempo de serviço já no oitavo. 

“Estou à espera para saber se estou numa lista [de vagas referentes à subida de escalão] que era suposto sair em janeiro e até hoje nada. O trabalho vai-se fazendo com gosto, mas isto provoca um sentimento de incerteza e frustração”, afirmou.

Também Maria José Silva, professora no Conservatório de Música do Porto, passou este ano, com 35 anos de serviço, para o 7.º escalão quando “era suposto estar no topo por esta altura”. 

“Sinto-me injustiçada depois de uma carreira tão grande”, lamentou à beira das lágrimas. 

“Esta progressão na carreira está a afastar pessoas da profissão porque ela já é complicada pelos anos de precariedade que tem, para além de ficarem décadas com contratos a prazo e aos saltos pelo país todo sem estabilidade e longe da residência”, disse Mário Nogueira, acrescentado que esta situação “vai ser um problema para a qualidade do ensino porque vão faltar professores qualificados” num futuro próximo.

No final da ação de protesto, Mário Nogueira, acompanhado por alguns docentes, foi entregar ao executivo uma resolução com propostas votadas pelos professores presentes

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