Há mais de um ano que a lei prevê o uso da canábis para fins medicinais mas, até ao momento, apenas um medicamento, reservado a um número pequeno de doentes, chegou às farmácias e custa 300 euros por mês.

A grande maioria dos doentes, milhares de pessoas, não tem sequer qualquer medicamento disponível no mercado. São empurradas para o estrangeiro, onde é mais fácil aceder a este tratamento, e onde têm o acompanhamento médico que não existe em Portugal. Muitos recorrem ao mercado negro, onde arriscam a sua saúde, ou ao auto-cultivo, que é crime em Portugal, e arriscam a sua liberdade para poder tratar-se.

A burocracia e a demora nas licenças para cultivar a planta, extrair os princípios ativos e colocar os produtos à venda no mercado, estão a atrasar o acesso a esta substância.

Mas há também falta de interesse das grandes farmacêuticas no mercado português, que é pequeno e tem baixo poder de compra. Portugal é o país mais procurado pelas grandes multinacionais para plantar canábis, por ser uma porta de entrada para todo o mercado da União Europeia, mas toda a produção é exportada para mercados como a Alemanha e o Norte da Europa.

Este é um negócio milionário, movido pelos interesses das farmacêuticas, onde o Estado não garantiu o interesse dos doentes.