A Câmara Municipal de Loures, liderada por Bernardino Soares, do PCP, contratou, por ajuste direto, o genro de Jerónimo de Sousa por valores acima do vencimento do próprio presidente do município.

Onze mil euros por mês, só no último contrato, que prevê fazer a limpeza e manutenção de paragens de autocarros e ‘mupis’ de publicidade na zona de Loures. Num dos meses, recebeu esse valor, limitando-se a mudar oito lâmpadas e dois casquilhos.

Jorge Bernardino, casado com a filha de Jerónimo de Sousa, estava desempregado há três anos e, antes deste contrato, tinha trabalhado num talho, numa florista e num supermercado.

Jerónimo de Sousa e Bernardino Soares foram ouvidos no âmbito da reportagem e negaram qualquer favorecimento.

 Uma reportagem de André Carvalho Ramos, com imagem de Romeu Carvalho, edição de imagem de João Pedro Ferreira e coordenação de Ana Leal.

Reações de PCP e Câmara de Loures

O PCP também reagiu, em comunicado, não apresenta argumentos contra a investigação. Opta antes por dizer que a investigação da TVI "é uma abjeta peça de anticomunismo, sustentada na mentira e na difamação e uma promoção da extrema direita e da reabilitação de salazar e do regime fascista".

A Câmara de Loures também já reagiu à investigação da TVI. Diz que os contratos denunciados cumprem "escrupulosamente as regras legais da contratação pública": "A peça não consegue apontar qualquer ilegalidade ou irregularidade em relação aos factos em análise, preferindo por isso centrar-se em especulações abusivas, com referência parcial e truncada das declarações do presidente da Câmara Municipal de Loures, bem como em relação aos dados que lhe foram disponibilizados", lê-se numa nota publicada no site da autarquia.

Acrescenta que  "ambos os procedimentos referidos (ajuste direto e consulta prévia) estão previstos no Código dos Contratos Públicos, sendo o ajuste direto uma ferramenta comum e, aliás, indispensável para a gestão corrente das autarquias locais nas suas múltiplas funções".