A Proteção Civil alertou, esta quinta-feira, para a possibilidade de cheias, formação de lençóis de água e gelo e quedas de árvore devido às previsões de chuva, neve, vento e agitação marítima para os próximos dias.

Num aviso à população, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) destaca as previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), que prevê para os próximos dias um agravamento das condições meteorológicas, com risco associado devido à chuva persistente, queda de neve e intensificação do vento.

ANPC dá também conta para existência da possibilidade de formação de fenómenos extremos de vento e agravamento da agitação marítima em toda a costa.

Face a estas previsões meteorológicas, a Proteção Civil sublinha que podem ocorrer cheias rápidas em meio urbano, por acumulação de águas pluviais ou insuficiências dos sistemas de drenagem e possibilidade de inundação por transbordo de linhas de água nas zonas historicamente mais vulneráveis, bem como inundações de estruturas urbanas subterrâneas com deficiências de drenagem.

A ANPC alerta também para possíveis danos em estruturas montadas ou suspensas, dificuldades de drenagem em sistemas urbanos, nomeadamente as verificadas em períodos de preia-mar, podendo causar inundações nos locais historicamente mais vulneráveis, e possibilidade de queda de ramos ou árvores em virtude de vento mais forte.

A Proteção Civil indica também que podem ocorrer possíveis acidentes na orla costeira e fenómenos geomorfológicos causados por instabilização de vertentes associados à saturação dos solos, pela perda da sua consistência.

Citando as previsões do IPMA, a ANPC refere que a precipitação pontualmente forte vai afetar as regiões Norte e Centro com mais intensidade a partir desta tarde, estendendo-se progressivamente às restantes regiões do país, estando ainda previsto trovoada e granizo.

De acordo com a Proteção Civil, o vento vai soprar com rajadas que podem atingir os 65 e 85 quilómetros por hora respetivamente e a intensidade vai agravar-se mais significativamente no litoral e terras altas a norte do cabo Mondego, com rajadas que podem atingir os 110 quilómetros por hora

Há também previsões de queda de neve acima dos 1000 metros a partir do final do dia de hoje, descendo a cota para os 600 a 800 metros (nordeste trasmontano) e até 800 metros nas restantes formações montanhosas no Norte e Centro (podendo ainda atingir a serra de S. Mamede), até final da manhã de sexta-feira.

Em relação à agitação marítima, estão previstas ondas de noroeste de quatro a cinco metros a norte do Cabo Raso, com previsão de agravamento a partir da próxima madrugada, com ondulação que pode exceder sete metros e picos máximos até 15 metros (com forte rebentação na costa), prevendo-se que o período mais crítico ocorra entre 12:00 e as 21:00 de sexta-feira.

No aviso, a ANPC aconselha ainda a população a adotar uma série de medidas preventivas e de autoproteção, nomeadamente garantir a desobstrução dos sistemas de escoamento das águas pluviais e retirada de inertes e outros objetos que possam ser arrastados ou criem obstáculos ao livre escoamento das águas, adoção de uma condução defensiva, redução da velocidade e ter especial cuidado com a possível acumulação de neve e formação de lençóis de água nas estradas,

A Proteção Civil aconselha também ao transporte e colocação das correntes de neve nas viaturas, sempre que se circular nas áreas atingidas pela queda de neve, não atravessamento de zonas inundadas, adequada fixação de estruturas soltas e especial cuidado na circulação e permanência junto de áreas arborizadas.

Ter especial cuidado na circulação junto da orla costeira e zonas ribeirinhas historicamente mais vulneráveis e não praticar atividades relacionadas com o mar, nomeadamente pesca desportiva, desportos náuticos e passeios à beira-mar, são outros medidas propostas pela ANPC.

Autoridade Marítima: ondas podem atingir "os oito metros"

A Autoridade Marítima Nacional e a Marinha alertaram, esta quinta-feira, para a agitação marítima e forte ondulação a partir da madrugada de sexta-feira na zona norte de Portugal continental.

Em comunicado, a Autoridade Marítima Nacional (AMN) avisa que a previsão do estado do mar e do vento prevê um agravamento das condições meteorológicas e oceanográficas na zona norte de Portugal continental (Depressão Helena), entre a madrugada de sexta-feira e a de sábado.

A agitação marítima será caracterizada por ondulação proveniente do quadrante noroeste “com altura significativa, que poderá atingir os oito metros e período médio a variar entre os 14 e 16 segundos”.

Segundo as previsões, o vento poderá registar velocidades superiores a 72 quilómetros/hora (km/h) e rajadas acima dos 100 km/h.

A Autoridade Marítima Nacional e a Marinha reforçam a recomendação, em especial à comunidade piscatória e da náutica de recreio que se encontra no mar, o eventual regresso ao porto de abrigo mais próximo e a adoção de medidas de precaução”, acrescenta o comunicado.

Recomenda o reforço da amarração e vigilância apertada das embarcações atracadas e fundeadas, bem como evitar passeios junto ao mar, de onde se destacam os molhes das entradas das barras e zonas nas praias junto à água.

Aconselha igualmente que os marítimos mantenham um estado de vigilância permanente e o acompanhamento da evolução da situação meteorológica, dos avisos à navegação e de previsão meteorológica radiodifundidos pela Marinha relativos à previsão meteorológica do IPMA, bem como outras informações das capitanias sobre as condições de acesso aos portos, evitando sair para o mar até que as condições melhorem.

À população em geral que frequente as zonas costeiras, a AMN aconselha que se abstenham da prática de passeios junto à orla costeira e nas praias, bem como da prática de atividades lúdicas nas zonas expostas à agitação marítima, sendo essencial que assumam uma postura preventiva, não se expondo desnecessariamente ao risco.

As autoridades “desaconselham vivamente a pesca lúdica, em especial junto às falésias e zonas de arriba nas frentes costeiras atingidas pela rebentação das ondas, tendo sempre presente que nestas condições o mar pode facilmente alcançar zonas aparentemente seguras”.