Os bombeiros sapadores anunciaram uma greve de duas semanas, durante o protesto que levaram a cabo em Lisboa, depois de uma reunião infrutífera com a tutela e de os ânimos se terem exaltado.

No pré-aviso de greve de 15 dias apresentado pelos sapadores de Lisboa, constava que o início da paralisação estava marcado para as 00:00 do dia 22 de janeiro, mas foi atualizado posteriormente para as 20:00 do dia 21, considerando as trocas de turnos dos elementos. A greve terminará a 5 de fevereiro.

Na manifestação de desta segunda-feira, pelas 15:45, os bombeiros tentaram entrar no ministério do Trabalho, mas cerca de 30 elementos das forças de segurança fizeram um cordão policial, o que impediu que isso acontecesse.

Os manifestantes não desarmaram: pegaram em mangueiras de água e ataram-nas entre semáforos, bloqueando o trânsito. O corpo de intervenção foi acionado, mas não chegou a intervir.

O protesto terminou de forma calma, mas uma bombeira dos sapadores de Lisboa leu um documento com uma visão diferente daquela que foi feita pelos sindicatos, pelo que se denota um diferendo também entre estas partes, para além daquele que existe com a tutela.

Os sapadores acabaram por desmobilizar às 17:30 de hoje, agendando uma manifestação nacional para quinta-feira.

Antes, pelas 17:00, uma delegação dos bombeiros saía de uma reunião com dois chefes de gabinete no Ministério do Trabalho e Segurança Social, mas António Pascoal, do Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa, e igualmente dirigente dos bombeiros, afirmou que “não houve um compromisso”.

Se o Governo não arrepiar caminho, vamos manter os protestos já marcados".

O representante afirmou ainda que “aparentemente há interpretações diferentes entre os ministérios sobre o novo estatuto dos bombeiros profissionais”, acrescentando que os bombeiros pediram para participar numa reunião conjunta com os ministérios.

Foi anunciada uma manifestação nacional de bombeiros municipais, na quinta-feira, em frente ao edifício onde se realiza o Conselho de Ministros.

“Bombeiros com 60 anos! Quem salva quem?”

Entre buzinas, apitos e sirenes, no protesto de hoje exibiram-se faixas que diziam “Bombeiros com 60 anos! Quem salva quem?” ou “Sapadores bombeiros dizem não à destruição da carreira e da aposentação”.

Os bombeiros exigem “um limite de idade adequada para a reforma sem cortes” e “um salário consoante o risco da profissão”.

Apesar de ser uma manifestação dos sapadores de Lisboa, os profissionais tiveram o apoio de um grupo de bombeiros de Setúbal e um outro de Tavira (distrito de Faro).

Segundo António Pascoal, o novo estatuto, nomeadamente o aumento da idade da reforma, pode prejudicar o socorro que é prestado às populações e também pode afastar candidatos à profissão devido aos salários baixos.