Centenas de pessoas insatisfeitas com o confinamento e o estado de emergência manifestaram-se, este sábado, em Lisboa. De acordo com informações dadas pela PSP à TVI, chegaram a estar presentes mais de três mil pessoas.

O protesto começou por volta das 15 horas, no Parque Eduardo VII, e desceu a avenida da Liberdade em direção à praça do Rossio.

Muitos dos participantes da manifestação não utilizavam máscara e não respeitavam as regras de distanciamento social impostas para combater o contágio da covid-19.

Nas imagens captadas pelas câmaras da TVI é possível ver várias mensagens, que vão desde pedidos de liberdade" a mensagens contra as autoridades e contra os meios de comunicação.

Ao longo de mais de três horas de ação de protesto entoaram-se ainda o hino nacional ou ‘Grândola Vila Morena’, de Zeca Afonso, mas o foco esteve nos discursos dos diferentes oradores, que criticaram a dimensão das medidas de restrição e lembraram as vítimas não covid, que disseram ter ficado sozinhas e esquecidas nesta pandemia.

José Reis, empregado fabril de 23 anos, foi um desses elementos, ao sair de Vila do Conde para reclamar pela “liberdade da sociedade” portuguesa.

“As pessoas deviam voltar a trabalhar, as crianças precisam de educação e há contas para pagar. Quem deve ter mais cuidado são as pessoas mais velhas, os novos têm um sistema imunitário mais forte”, afirmou, sem deixar de reconhecer a existência do vírus SARS-CoV-2, acrescentando: “Não digo que não haja algum medo. E não digo que não possa ficar de consciência pesada se depois contaminar um familiar”.

Sublinhando que nem todas as críticas são “teorias da conspiração”, ainda assim José Reis manifestou-se cético em relação às vacinas que foram desenvolvidas para tratar a covid-19 e considerou que afetam “o sistema imunitário natural das pessoas”.

Maria Nogueira, de 26 anos, vinha munida de vários cartazes com os seus argumentos contra a forma como a sociedade está a responder à pandemia. Da “censura à comunidade médica e científica em relação aos tratamentos disponíveis”, à suposta falta de fiabilidade dos testes PCR, passando pelo “alarmismo exagerado”, esta jovem defendeu ainda que o uso de máscaras apresenta mais malefícios do que benefícios.

Uso máscara naquilo que tenho de usar para manter a minha vida normal e por vezes nem uso. Exerço a minha liberdade de respirar. Após a minha investigação e consulta de estudos, decidi que isto é o melhor para a minha saúde”, atirou, considerando que algumas medidas que foram tomadas estão a “destruir a Constituição”.

E mesmo tendo já perdido um familiar para a covid-19, reforçou: “Um teste PCR não é fidedigno, o que é fidedigno é um diagnóstico completo de um médico que saiba distinguir uma gripe de covid. Os testes são a base desta fraude. Há outras maneiras de fazer as coisas, a verdade tem de vir ao de cima”, vincou.

Por sua vez, Carla Ramos, empresária de 46 anos, justificou a vinda a esta manifestação sem máscara pela “confiança” no seu sistema imunitário e por estar “triste com o medo e o caminho que se está a seguir” na forma de lidar com a pandemia. “Não estamos a promover a saúde, estamos a promover a doença”, referiu.

Ninguém está a negar o vírus, está a contestar-se o exagero das medidas sanitárias, nomeadamente o passaporte imunitário”, explicou, defendendo ainda que “os governos deviam apostar mais numa saúde preventiva”.

Esta ação foi organizada a partir da Internet e contou com a vigilância de um dispositivo da Polícia de Segurança Pública, que não registou incidentes, com exceção de alguns autos levantados por consumo de álcool na via pública.

Portugal contabiliza, neste sábado, mais oito mortes e 457 novos casos de covid-19, de acordo com o último boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS).

A região Norte não registou qualquer óbito nas últimas 24 horas, somando, no entanto, 29,9% dos casos diários (137).

A circulação entre concelhos em Portugal continental volta a estar proibida entre as 20:00 de sexta e as 05:00 de segunda-feira, sem prejuízo das exceções previstas, no âmbito do estado de emergência para combater a pandemia de covid-19.

Decretado pelo Presidente da República, o 13.º estado de emergência, após renovação por mais 15 dias, entrou em vigor às 00:00 de 17 de março e termina às 23:59 de 31 de março, “sem prejuízo de eventuais renovações, nos termos da lei”.

Segundo o diploma do Governo, existe um conjunto de exceções à proibição de circulação entre concelhos, inclusive deslocações para desempenho de funções profissionais (conforme atestado por declaração emitida pela entidade empregadora ou equiparada), por motivos de saúde e para cumprimento de responsabilidades parentais.

Além desta restrição, o 13.º estado de emergência mantém em vigor o “dever geral de recolhimento domiciliário”, em que a principal regra é ficar em casa, determinando que “os cidadãos não podem circular em espaços e vias públicas, bem como em espaços e vias privadas equiparadas a vias públicas, e devem permanecer no respetivo domicílio, exceto para deslocações autorizadas”, desde ir comprar bens e serviços essenciais à prática de atividade física e desportiva ao ar livre.