A comunidade imigrante manifestou-se, este domingo, em Lisboa, contra a desigualdade de direitos entre cidadãos estrangeiros e nacionais e para exigir documentos que permitam aos imigrantes trabalhar de «forma legal e digna».

«Acima de tudo, reivindicamos igualdade de direitos entre os imigrantes e os cidadãos nacionais», declarou à Agência Lusa o representante da associação "Solidariedade Imigrante", Jorge Silva, uma das várias instituições responsáveis pela organização da manifestação que juntou cerca de mil pessoas entre o Martim Moniz e a Praça Luís de Camões, em Lisboa.

«Os imigrantes estão a contribuir para o desenvolvimento económico deste país, pagam os seus impostos e Segurança Social e acabam por não usufruir dos benefícios da Segurança Social porque não têm residência, e não têm residência porque não têm contrato de trabalho. Exigimos do Governo mais respeito para com os imigrantes», afirmou Jorge Silva.

Um dos principais problemas que afecta a comunidade imigrante que não está legalizada é a impossibilidade de conseguir um contrato de trabalho sem documentos válidos, que por sua vez também não permite a obtenção de residência, estando esta situação na origem de uma das principais reivindicações apresentadas pela associação "Solidariedade Imigrante".

«Exigimos que, enquanto não lhes é concedida residência, tenham um prazo de cerca de três meses que lhes permita trabalhar com dignidade, com legalidade, sem que sejam obrigados a esconder-se das autoridades e sem que os patrões sejam multados por estar a empregar um cidadão em situação irregular», defendeu o Jorge Silva.

Outra das exigências prende-se com o reagrupamento familiar, dificultado por «critérios economicistas», criticou o representante da associação de imigrantes. «Um imigrante para reunir a sua família tem que ganhar muito acima do Salário Mínimo Nacional. Isto é inadmissível», acusou.

Estas e outras reivindicações serão reunidas num documento que vai ser entregue ao primeiro-ministro, José Sócrates, no início da próxima semana, com o objectivo de exigir que sejam tomadas «medidas claras» que contrariem a actual situação.
Redação / MM