Uma manhã de protesto junto à Escola EB 2,3 de Amarante, no Porto. Pais, funcionários e professores fecharam as portas do estabelecimento e exigiram mais assistentes operacionais, melhores condições e a retirada de coberturas com amianto.

Dezenas de professores concentraram-se junto à entrada principal das instalações, acompanhados por auxiliares de ação educativa, exibindo cartazes com mensagens alusivas à existência daquela substância cancerígena em vários pavilhões.

No gradeamento exterior do estabelecimento, construído há cerca de 40 anos, os grevistas colocaram uma tarja com a frase: "Stop - Tirem-nos o amianto".

O repórter Pedro Reis esteve no local a acompanhar o protesto, que contou com o apoio do Sindicato de Todos os Professores (S.T.O.P). André Pestana, dirigente do sindicato, em declarações à TVI, disse que esta escola seria "a trigésima que fechou devido a vários problemas. Não só do amianto, como a falta de funcionários, falta de professores, a questão da insegurança que se vive nas escolas".

Foi mais longe e afirmou que "os ministro têm que cumprir a sua palavra", numa clara referência a palavras de António Costa que, em setembro de 2016, prometeu "erradicar" o amianto de todos os estabelecimentos de ensimo até final de 2018. 

Já passou os finais de 2018, estamos quase em finais de 2019, e a maior parte das escolas continuam com amianto. Isto é gravíssimo"

A insuficiência de funcionários nas escolas foi outra nota deixada por André Pestana, referindo que, no caso da EB 2,3 de Amarante, não é cumprido o rácio indicado pelo Governo, havendo 42 alunos por cada auxiliar, o dobro das recomendações da tutela.

Anabela Magalhães, docente naquela escola, confirmou a insuficiência de assistentes operacionais, também cada vez mais envelhecidos, o que motivou a adesão à greve por parte daqueles profissionais.

Sobre a questão do amianto, lamentou que cerca de 900 alunos, além de professores e funcionários, tenham de conviver diariamente com "um problema de saúde pública".

É justo que, passados 40 anos, nos retirem o amianto integralmente da escola", disse, explicando que as placas com amianto só foram retiradas num dos edifícios, mantendo-se nos restantes.

 

Isto é típico do país, é o varrer da sujidade para debaixo do tapete. Os alunos têm aulas com as placas visíveis, algumas das quais fissuradas, com todos os problemas que daí advêm para a saúde pública", criticou a docente.

Anabela Magalhães disse também não ser aceitável a existência, lado a lado, de duas escolas com condições tão diferentes. A docente referia-se à escola secundária da cidade, contígua à EB2,3, que foi remodelada recentemente

Pedro Reis