Centenas de alunos e encarregados de educação manifestaram-se hoje e encerraram a cadeado a Escola Secundária da Boa Nova, em Leça da Palmeira, Matosinhos, para exigir obras no estabelecimento de ensino que “há muitos anos se encontra degradado”.

Em declarações à Lusa, a presidente da associação de pais, Marisa Mota, afirmou que a escola, frequentada por cerca de 750 alunos, do 7.º ao 12.º ano de escolaridade, “está há muito tempo degradada, a necessitar de obras, que têm vindo a ser sucessivamente adiadas”.

Em 2011 havia um projeto para uma escola fantástica com a Parque Escolar, entrou a 'troika' acabou, entretanto, há um novo projeto da autoria da autarquia, mas esse projeto ainda não foi avante. As outras escolas em Matosinhos já foram todas intervencionadas, mas na nossa escola ainda nada foi feito”, lamentou.

Referiu que “a escola continua a degradar-se dia após dia, há falta de segurança, existe uma instalação elétrica por onde passa água, não é possível ligar a luz, nem colocar nada nas tomadas em dias de chuva porque a água cai pelas lâmpadas, o que torna a situação muito delicada e perigosa”.

Marisa Mota disse ainda que os balneários não têm condições para os alunos tomarem banho após as aulas de educação física, não há climatização nem para o frio nem para o calor, frisando que “no inverno é preciso estar de manta na sala de aula e no verão não se suporta o calor”.

Já estamos à espera há muito tempo, torna-se cada vez mais urgente por questões de segurança e nós, enquanto pais que temos conhecimento disto, sentimo-nos responsáveis, não podemos compactuar, ser cúmplices deste atentado à segurança dos menores. Felizmente, não aconteceu nenhum acidente, graças a direção da escola que é incansável e aos funcionários que andam sempre a tentar colmatar falhas”, afirmou.

O protesto de hoje foi organizado sem aviso prévio para “evitar que a autarquia viesse, como é costume, dizer que é já este mês, que está tudo pronto, manda gente tirar medidas, mas depois nada é feito”, explicou.

A última vez que pedimos um prazo para o início das obras foi numa Assembleia Municipal (AM) em dezembro de 2019, foi nos dito pela presidente Luísa Salgueiro que até ao fim do ano o concurso seria aberto e não foi. Antes dessa AM, estivemos reunidos com Luísa Salgueiro que nos comunicou em que fase está o projeto, mas nunca nos mostrou papéis”, disse.

Segundo a representante dos pais, “o projeto da escola nova ainda não foi mostrado à comunidade. Há um concurso que, eventualmente, um dia, será aberto para um projeto que está aprovado, mas não se conhece. Os alunos, os professores e a direção desconhecem-no”, frisou.

Questionado pela Lusa, também o presidente da associação de estudantes, Ivo Cristas, denunciou a “elevada degradação” da escola e lamentou tratar-se do único estabelecimento de ensino do concelho que “não tem o mínimo de condições”.

É frio nas salas, os alunos vêm de cobertores, é água que anda pela eletricidade, a luz vai abaixo, os balneário muitas vezes não têm água quente, não há aulas de educação física porque o chão fica húmido e os alunos escorregam”, sustentou.

Ivo Cristas salientou “a união entre todos” em relação a esta questão e lembrou que “já são cerca de 10 anos que se apresentam projetos e propostas e há muitas milhões em jogo. Todas já foram intervencionadas e estamos em 2020 e a nossa escola continua igual”.

A Escola da Boa Nova reabriu pouco depois das 09:30, mas apenas os professores e funcionários entraram. Os alunos mantiveram-se no exterior gritando palavras de ordem e, à Lusa, disseram que até final da manhã se iriam continuar a manifestar.

A construção dos edifícios remonta a 1986 sem que tenha sido realizada qualquer obra desde a sua edificação, segundo a Associação de pais.

“A autarquia diz que inicia as obras em 2020, tal como o disse em 2016, em 2017 e 2019 só não o disse em 2018. Mas para que isso acontecesse teria já que estar em fase de execução com o projeto aprovado e a abrir um concurso. Mas qual é o projeto e porque não o disponibilizam? No mínimo é estranho”, consideram os encarregados de educação.

Contactada pela Lusa, a autarquia remeteu esclarecimentos para um comunicado que enviará mais tarde.