Os professores iniciam hoje uma nova greve, que vai durar até quinta-feira e terminar com uma manifestação nacional, para exigir que nove anos, quatro meses e dois dias de trabalho sejam contabilizados na progressão de carreira.

A greve foi convocada por 10 estruturas sindicais de professores no dia em que o ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, esteve no parlamento, a pedido do PCP, para debater o arranque do ano letivo.

As negociações para a recuperação do tempo de serviço congelado foi um dos temas que marcou o debate com os deputados do PCP, Bloco de Esquerda e Os Verdes a defenderem a recuperação integral, para efeitos de contagem de tempo de carreira, dos anos de serviço que trabalharam.

De acordo com a plataforma que reúne todos os sindicatos de professores, à exceção do recém-criado Sindicato de Todos os Professores (S.T.O.P), os docentes que queiram podem fazer greve na totalidade ou em apenas alguns destes dias.

Na terça-feira os distritos mais afetados serão Portalegre, Évora, Beja e Faro e na quarta-feira Coimbra, Aveiro, Leiria, Viseu, Guarda e Castelo Branco.

Na quinta-feira, o protesto chegará ao Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança.

Os professores dos Açores assim como os docentes em exercício de funções no Ensino Português no Estrangeiro também participam na contestação.

Os motivos da greve prendem-se não apenas com a recuperação integral do tempo de serviço, mas também com a necessidade de resolver a questão da aposentação, da sobrecarga horária e da precariedade.

Os sindicatos lembram que neste caso não há lugar à fixação de serviços mínimos.

Muitos alunos sem aulas

Muitos alunos das escolas de Lisboa, Setúbal e Santarém ficaram de manhã sem aulas devido à greve. Recreios com mais alunos do que é habitual no decorrer dos horários das aulas era o sinal mais visível da greve em algumas escolas de Lisboa.

A greve dos professores, que hoje se iniciou, rondava, pelas 10:30, os 75%, disse Mário Nogueira porta-voz da plataforma de sindicatos que a convocou.

Em declarações aos jornalistas no Largo Camões, em Lisboa, o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, afirmou que ainda pode haver alguma variação na percentagem da adesão à greve durante o turno da tarde.

“Há muitas escolas fechadas, algumas deles secundárias, básicas e muitas escolas do primeiro ciclo e jardins de infância”, disse o sindicalista, dando como exemplos a escola do 1.º ciclo António Nobre, em Lisboa, e a Escola Básica e Jardim de Infância Os Templários, em Tomar.

Mário Nogueira explicou que estas escolas encerraram porque o número de professores que não fez greve era muito residual e não permitia o funcionamento dos estabelecimentos.

Para o dirigente da Fenporf, esta percentagem de adesão significa “um bom arranque, um excelente arranque do primeiro dia de greves que decorre até quinta-feira e que culmina, na sexta-feira, com uma manifestação no dia mundial dos professores”.