Cerca de duas dezenas de trabalhadores da Casa de Bem Estar de Santa Cruz, em Lisboa, manifestaram-se esta segunda-feira contra o encerramento definitivo da instituição e para reivindicar o pagamento de salários e subsídios em atraso.

A ação foi convocada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (STFPS) e decorreu junto às portas da instituição, que ao encerrar deixa de prestar apoio domiciliário a mais de 30 idosos e no desemprego perto de duas dezenas de trabalhadores.

Quando chegámos aqui as portas já estavam fechadas e não vimos ninguém. É uma situação dramática porque atira para o desemprego quase 20 trabalhadoras, que não tiveram direito a subsídio de Natal, de desemprego, a nada”, justificou à agência Lusa Marco António, do STFPS.

O sindicalista reconheceu que nesta altura os trabalhadores já não conseguirão recuperar o posto de trabalho, mas sublinhou que o sindicato não vai desistir até que eles recebam os subsídios que “são devidos pela instituição”.

Resta-nos garantir que o processo de despedimento é feito obedecendo a todas as regras, pagando as devidas compensações aos trabalhadores e, depois, ir atrás de créditos que ficaram em dívida de anos anteriores, mas esse é um processo mais complexo”, ressalvou.

Nesta ação de protesto participou a secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha.

A Lusa tentou contactar a direção da Casa de Bem Estar de Santa Cruz, mas sem sucesso.

Há duas semanas, em declarações à Lusa, a diretora técnica da instituição, Maria Eugénia Beltran, justificou o encerramento com “problemas graves a nível financeiro”

A responsável sublinhou que a instituição já teve 100 utentes domiciliários, mas que atualmente se tivesse “trinta e tal já era muito”.

Tivemos uma grande baixa de utentes. Morreram imensas pessoas. Infelizmente, isto também está ligado com a pandemia. Atingiu toda a gente. Tivemos essas baixas e depois, infelizmente, também tivemos muitas pessoas que não puderam pagar a comparticipação dos utentes. Muitos familiares ficaram desempregados e não podem pagar a comparticipação e estão a servir-se inclusivamente das reformas dos pais, dos avós”, justificou a diretora da instituição.