Mais de 90 por cento das esquadras de Lisboa e Porto estão degradadas, alertou a Associação dos Profissionais de Polícia, que é favorável ao encerramento de alguns postos, desde que seja reforçado o policiamento de proximidade, escreve a Lusa.

O encerramento da esquadra do Rego, esta quarta-feira, suscitou polémica junto da comunidade local, mas para o dirigente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP/PSP), a existência física dos postos policiais não é necessariamente o mais importante.

«O importante é ter uma cobertura operacional que dê resposta às necessidades de segurança, apostando no policiamento de proximidade e no desenvolvimento de programas como a Escola Segura ou o Comércio Seguro», sublinhou Paulo Rodrigues, acrescentando que é melhor ter carros patrulha a circular do que uma esquadra sem condições.

«Não pode é ficar uma área descoberta muito grande. É preciso intensificar o policiamento de proximidade nessas zonas», sugeriu.

Lisboa: mobilidade na PSP afecta policiamento de proximidade

O sindicalista considerou que a oposição dos autarcas locais e moradores «é natural, porque nenhuma junta de freguesia gosta de ver serviços encerrados», mas acredita que «se houver o compromisso de manter uma presença policial diária, visível e contínua as pessoas vão mudar de ideias».

Paulo Rodrigues está contra o encerramento de esquadras a nível nacional, mas entende que esta reorganização «faz sentido» em grandes centros metropolitanos, como Lisboa e Porto: «Há esquadras que ficam a poucos quilómetros umas das outras, esquadras que estão abertas por questões políticas, e não por necessidades operacionais, e outras que estão completamente degradadas.»

PSP não prevê encerramentos a curto prazo

O sindicalista frisou ainda que «em Lisboa, cerca de 90 por cento das esquadras não têm condições e, no Porto, ainda é pior. Muitas delas estão em prédios degradados».

No entanto, apesar de ser favorável à desactivação de algumas instalações, a ASPP/PSP rejeita o regresso ao antigo modelo das super-esquadras e alerta para a necessidade de colocar os agentes «em locais onde possam desempenhar o seu serviço em condições».

A PSP adianta que «apenas encerrará instalações policiais por falta de condições quando, comprovadamente, colocarem em risco os elementos da PSP que trabalhem nesses locais e os cidadãos que a elas se deslocam, não existindo para já factos que indiquem que isso venha a suceder num futuro próximo».