O Sindicato dos Profissionais de Polícia da PSP decidiu abrir uma conta solidária para auxiliar os agentes da Esquadra da PSP de Alfragide envolvidos no caso das agressões aos moradores do Bairro da Cova da Moura.

Em comunicado, o Sindicato dos Profissionais de Polícia informa que "não se revê na sentença proferida pelo Tribunal de Sintra e que resultou na condenação de oito dos 17 elementos da Esquadra de Alfragide", aguardando "serenamente o resultado do recurso que será interposto às instâncias superiores".

Por estar "solidário com todos os polícias envolvidos neste processo", que no entender do sindicato assumiu "proporções de condenação pública e política e não de verdadeira justiça", o organismo decidiu abrir uma conta solidária face uma "decisão judicial que, numa primeira análise, peca por excessiva e desproporcional". 

A direção do sindicato informa que a conta solidária, cujo IBAN será divulgado em breve, visa recolher verbas para distribuir de forma equitativa aos agentes envolvidos no caso. "Trata-se de uma forma de os ajudar a minimizar os gastos que têm tido com o apoio jurídico em todo o processo judicial e auxiliar nas eventuais indemnizações que tenham efetivamente de pagar".

Na mesma nota, o sindicato dos Profissionais de Polícia refere que os polícias e cidadãos em geral que assim o entenderem poderão dar o seu contributo para esta causa. 

Recorde-se que o Tribunal de Sintra condenou na segunda-feira oito dos 17 polícias da Esquadra de Alfragide, concelho de Amadora, acusados de agressões e insultos racistas a seis jovens da Cova da Moura, em 2015, mas absolveu-os de racismo e tortura.

O coletivo de juízes aplicou a sete dos arguidos, em cúmulo jurídico, penas únicas entre dois meses e cinco anos de prisão, suspensas na sua execução por igual período, pelos crimes de sequestro, de ofensa à integridade física qualificada, de falsificação de documento, de injúria e de denúncia caluniosa.

A um dos arguidos, o coletivo de juízes, presidido por Ester Pacheco, determinou que a pena de um ano e meio fosse efetiva, por este arguido já ter sido condenado no passado. O tribunal não deu como provado que os arguidos tenham agido com ódio racial nem que tenham cometido o crime de tortura e outros tratamentos cruéis, degradantes e desumanos, razão pela qual absolveu todos os arguidos deste crime.