O suicídio é a principal causa de morte não natural entre os agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP), revela um estudo divulgado esta terça-feira em Peniche durante um seminário dos Serviços Sociais desta força de segurança, informa a Lusa.

«A principal causa de morte na Polícia entre 2006 e 2009 são os suicídios, que têm aumentado infelizmente, ocorrendo principalmente quando os agentes se encontram no activo», revelou a subcomissária Sílvia Caçador.

Segundo a autora do estudo, o problema pode estar relacionado «com uma falta de acompanhamento psico-afetivo e com as dificuldades em lidar com os problemas diários da profissão».

Os suicídios ocorrem durante a vida activa

dos polícias, enquanto os acidentes de transporte, apontados como outra das principais causas de morte não naturais, acontecem já durante a aposentação.

As doenças do aparelho respiratório, provocados pela poluição atmosférica a que os polícias estão sujeitos quando fazem patrulhamento das ruas e pelo consumo de tabaco enquanto forma de escape para os problemas da profissão, são uma das principais causas de morte natural, seguindo-se as doenças do aparelho circulatório, tumores e perturbações mentais.

O estudo revela ainda que as maiores taxas de mortalidade ocorrem entre os 20 e os 24 anos de idade, devido «à inexperiência dos polícias em lidar com os problemas diários da profissão», ou entre os 50 e os 54 anos.

«A partir dos 50-55 anos verificamos que há um acumular de anos de cansaço e de dedicação a uma profissão difícil, havendo mais óbitos neste grupo de idades», já em situação de aposentação, justificou.

Nos últimos dez anos, morreram em média por ano mais de duas centenas de polícias, situando-se a esperança média de vida entre eles nos 69 anos.
Redação / CLC