Portugal registou apenas 18.226 nascimentos nos três primeiros meses do ano, menos 2898 que no ano anterior, segundo dados do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce. Estes números vêm intensificar a tendência de descida registada no ano passado, contrariando a tendência de ligeira subida registada nos anos que marcaram a recuperação económica do país.

Nos primeiros três meses do ano, foram estudados 18.226 recém-nascidos ao abrigo deste programa, conhecido como “teste do pezinho”, menos 2.898 do que em igual período de 2020 (21.124), o que representa uma quebra de 13,7%, revelam dados do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA).

O mês de março, em que foram estudados 6.978 bebés, registou um aumento no número de nascimentos face a janeiro (5.646) e fevereiro (5.602), indicam os dados do Programa Nacional de Diagnóstico Precoce (PNDP).

Instabilidade financeira trazida pela pandemia, um menor número de mulheres em idade fértil e menos imigrantes são alguns dos fatores que mais contribuem para o desacelerar da natalidade no país. Entre 2009 e 2019, Portugal teve menos 204 mil mulheres com idades entre os 25 e os 35 anos, ou seja, no seu período de maior fertilidade.

No ano passado, a professora universitária da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa Maria João Valente Rosa admitiu que o efeito negativo da pandemia na natalidade seria “com certeza forte”, e, para justificar essa descida, sublinhou o efeito da imigração.

Nós sabemos que o contributo de mulheres estrangeiras para o total de nascimentos tem sido, cada vez mais significativo”, correspondendo a 12% dos nascimentos ocorridos em 2019 em Portugal. “Portanto, o facto de algumas mães, porventura, já grávidas, não virem ou saírem do território nacional, pode ter tido, pela via indireta, alguma influência sobre a redução do número de nascimentos”.

Recorde-se que já em 2020, ano marcado pelo aparecimento da pandemia, Portugal registou uma queda na natalidade, com uma diminuição de 2,6% em relação a 2019. Ao todo, nasceram em 2020 cerca de 84.296 bebés, menos 2283 que no ano anterior.

Iniciada a recuperação económica, há cinco anos, o país começou a recuperar a nível da natalidade, com ligeiras variações de ano para ano. Mas em 2020 o país retrocede nessa evolução positiva. No ano de 2014, o país teve o seu registo mais baixo, com apenas 82.367 bebés recém-nascidos. Em 2007, tinha havido 102.492 nascimentos.

O “teste do pezinho” permite diagnosticar algumas doenças graves difíceis de diagnosticar nas primeiras semanas de vida e que mais tarde podem provocar alterações neurológicas graves, alterações hepáticas, entre outras situações.

João Guerreiro Rodrigues / com Lusa