Portugal tem uma baixa taxa de discriminação étnica-racial, defende a Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia, num relatório, divulgado esta quarta-feira, baseada em respostas de imigrantes africanos e seus descendentes residentes na União Europeia.

O estudo envolveu mais de 5.800 imigrantes e descendentes de imigrantes de descendência africana em todos os países da União Europeia.

Segundo o Alto Comissariado para as Migrações (ACM), o relatório “Being Black in the EU” apresenta dados positivos sobre Portugal, nomeadamente uma reduzida taxa de violência e vitimização motivadas pelo racismo e uma boa integração no mercado de trabalho.

O relatório, baseado em 525 respostas ao inquérito, mostra que houve aspetos que melhoraram, concretamente no que se refere à qualidade de trabalho das mulheres, à capacitação e empregabilidade dos jovens e às condições de habitação.

Na análise, baseada em respostas de imigrantes africanos e seus descendentes residentes na União Europeia, Portugal apresenta a mais baixa taxa de violência e vitimização motivadas pelo racismo (2%), enquanto a Finlândia é o país da UE onde a taxa de violência motivada por racismo é mais elevada (14%) e a Áustria surge com a maior taxa de vitimização motivada por racismo (11%).

Na área laboral, Portugal é o Estado membro que apresenta a taxa de trabalho com rendimentos mais elevados (76%) e em que mais mulheres estão inseridas no mercado de trabalho (65%).

Segundo o ACM, Portugal é o único país incluído neste inquérito que demonstra uma taxa de trabalho remunerado mais elevada que a taxa de emprego para a população geral e como o país da UE onde os não-nacionais demonstram uma elevada taxa de emprego remunerado (77% face à média de 63% dos restantes países).

Os resultados mostram, contudo, que Portugal precisa de melhorar as políticas destinadas aos jovens que não estão nem a trabalhar nem a estudar ou em formação (23%).

O relatório da FRA resulta de um inquérito aplicado na Alemanha, Áustria, Dinamarca, Finlândia, França, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Malta, Portugal, Reino Unido e Suécia e surge na sequência do estudo EU-MIDIS II promovido pela mesma Agência que entrevistou 25.515 pessoas de diferentes minorias étnicas e imigrantes em todos os 28 Estados membros da União Europeia.