Em Portugal, muitas pessoas são alvo de preconceito apenas e só por causa da cor da pele. Quem sofre de discriminação garante que o racismo assume as mais variadas formas e que está patente nas situações mais banais do dia a dia.

Exemplo disso: uma simples ida para o trabalho de metro.

O músico Alex D’Alva Teixeira estava a ir para o estúdio e a carruagem estava completamente cheia. Estava apenas um lugar vago ocupado por uma bolsa de mulher. O músico tentou sentar-se, mas foi impedido, alegadamente por preconceito racial. A mulher ignorou o pedido, mas no final Alex acabou insultado e os insultos são sempre os mesmos: “vai para a tua terra”, “volta para o teu bairro social” ou “macaco”.

O preconceito deixa marcas profundas nas vítimas, quer físicas quer psicológicas, e o primeiro contacto com esta realidade acontece muitas vezes no futebol, onde o insulto verbal não tem limites e passa impune.

Aristóteles sofreu deste tipo de racismo em criança e quando voltou novamente para Portugal ficou surpreendo com o caso Marega.

E depois o caso das mulheres, e mais propriamente das mulheres negras, que já são à partida duplamente discriminadas. Solange e Neusa garantem que têm que trabalhar o dobro e o triplo para serem reconhecidas e falam na invisibilidade da mulher negra na sociedade e nos cargos de topo.

Estão apenas nas horas e quando “os outros não estão”: ou seja, à noite a fazer limpezas e antes de todos chegarem. São apenas vistas como empregadas domésticas. Este preconceito gera revolta e muitas jovens estão inclusivamente a ter dificuldade em aceitar a própria cor da pele.

Andreia Jorge Luís