O caso de racismo no jogo entre Vitória e FC Porto, que decorreu em Guimarães no passado dia 16 de fevereiro, e que teve como alvo o jogador Moussa Marega, colocou o tema na ordem do dia. A TVI organizou um debate para debater o caso em concreto, e perceber os contornos à volta da sociedade.

Adriano Malalane afirma que, apesar de tudo o que possa ser feito, existem mentalidades que não vão mudar. O advogado acrescentou ainda que tem dúvidas em relação a quais serão as consequências que vão ser retiradas do caso.

Pessoas que são racistas vão continuar a ser racistas”, afirmou.

 

Dando outro exemplo em concreto, o convidado falou no caso de Alcindo Monteiro, um negro que foi assassinado num crime com motivações racistas, em 1995, na cidade de Lisboa.

Adriano Malalane lembrou que houve arguidos que foram condenados e tiveram de cumprir pena. Atualmente, algumas dessas pessoas estão à frente de organizações racistas, lembrou o advogado.

O sociólogo Manuel Carlos Silva analisou a presença de racismo na sociedade portuguesa. O convidado analisou o papel da justiça portuguesa em casos deste género, afirmando que este tipo de discriminação também existe entre os agentes judiciais.

Alguns polícias e juízes manifestam preconceito em relação às minorias”, referiu.

 

Para Manuel Carlos Silva, esta também é uma questão politizada, sendo que “os responsáveis do país não reconhecem este problema”.

Em vez de meter a cabeça na areia devemos reconhecer o problema”, disse.

Ana Vaz é psicóloga, e começou por falar em episódios em que já sentiu racismo. Em relação ao caso de Moussa Marega, a convidada refere que “abriu uma porta”, mas que importa saber o que está a ser feito para uma mudança de comportamentos.

O jornalista Pedro Correia refere que o caso pode ser diluído ao longo do tempo, o que pode representar um perigo se a sociedade deixar que a situação seja esquecida. Para o convidado, a “excessiva violência do futebol” pode estar na génese do episódio.

Marega faz a diferença pela atitude”, disse.

Pedro Correia refere que a diferença foi o ato de Marega de abandonar o campo, ainda que não fosse o único jogador negro no relvado. O jornalista acrescentou ainda que o caso em concreto não deve ser banalizado.

O episódio é racista porque os sons são de inequívoco racismo”, acrescentou.

/ AG