“Um período de renovação de fé”: assim se define, de uma forma simplista, aquilo que representa o Ramadão para os muçulmanos. Este ano, as celebrações começaram dia 26 de maio e prolongam-se até ao dia 25 de junho. Em Portugal, a comunidade islâmica celebra este período com alguns condicionantes, próprios de um país em que esta religião é minoritária.

A mesquita central de Lisboa, inaugurada em março de 1985, é o principal local de culto para a maioria da comunidade islâmica na capital. Aqui, ao final da tarde, começam a juntar-se alguns crentes com o intuito de participar na celebração do fim do dia, uma das mais importantes e que antecede o fim do jejum diurno imposto pelo Ramadão.

O que é?

O Ramadão é um dos quatro pilares do islão. O jejum praticado pelos crentes é um sacrifício e uma prova de autodomínio. Os muçulmanos provam assim serem capazes de controlar as suas vontades. Um período que requer, segundo o sheik David Munir, "um esforço acrescido". 

“O jejum deve valorizar aquilo que se tem, pois sabe-se que muitos jejuam por não terem nada para comer”, afirmou o sheik David Munir à TVI24.

O sheik David Munir é o responsável pelas celebrações religiosas da mesquita central de Lisboa. O imã é interpelado enquanto tratava de assuntos na secretaria da mesquita. Um dos funcionários tinha antes referido que o sheik se “encontrava a preparar a oração”, que por “ser memorizada e não lida” demora algum tempo a preparar.

O período do Ramadão é marcado por um jejum diurno. Os muçulmanos que o praticam não podem beber, comer, fumar ou ter relações íntimas. David Munir diz que “nem todos são obrigados a cumpri-lo” e crianças, idosos ou grávidas podem optar por não o realizar.

“O jejum é uma prática pessoal e ninguém é 'obrigado' a revelar que o pratica, bem pelo contrário."

Como se faz?

Os crentes que cumprem os desígnios do Ramadão apenas tomam duas refeições por dia: o Su-Hoor, na alvorada, e o Iftar, no pôr-do-sol. Este jejum, designado por Saum, é cumprido durante 29 ou 30 dias, dependendo do calendário islâmico.

O calendário islâmico contempla 12 meses, variando entre os 29 e os 30 dias, sendo que o nono mês é o Ramadão. Estes “29 ou 30 dias, dependendo do ano”, requerem, segundo o sheik David Munir, “um sacrifício pessoal”.

Um jejum, que pode durar mais de 14 horas, afeta o quotidiano e o rendimento do crente que o pratica. Os muçulmanos que cumprem o Ramadão em Portugal estão, segundo o imã, “em desvantagem por estarem num país de minoria muçulmana”.

“Praticar o Ramadão em países de maioria muçulmana é vantajoso."

Muçulmanos em Portugal

Em Portugal, segundo os censos de 2011, existem cerca de 20 mil muçulmanos, apesar de hoje poderem ser já 50 mil. Esta minoria religiosa é a quarta com maior expressão no país: os cristãos (7 milhões), protestantes (72 mil) e ortodoxos (56 mil) são as religiões com maior número de praticantes.

A legislação portuguesa não prevê benesses para que os cidadãos muçulmanos possam ter horários suavizados, que permitam fazer as orações. O que existe são, segundo David Munir, “empresas mais compreensíveis, mas que mesmo assim obrigam os funcionários a repor horas depois deste período”. As multinacionais são “mais compreensíveis” pelo facto de existir uma maior diversidade de etnias, crenças e religiões.

“Uma empresa multinacional compreende melhor as necessidades de um crente.”

Segundo o Corão, o Ramadão representa uma fase de redenção de pecados. Este é um tempo de entendimentos, um período de reconciliação entre os crentes. É o período para que os conflitos sejam sanados.

“É um período em que os muçulmanos estão mais caridosos e mais generosos."

Este ano, segundo o calendário islâmico, o Ramadão termina a 25 de junho, 30 dias depois de se ter iniciado. Apenas quando a lua nova surge no céu se celebra o EId al Fitr, a festa que marca o fim do Ramadão e do jejum.