As notas dos exames nacionais, e consequentemente as médias, subiram em todas as disciplinas quando comparadas com as no ano letivo anterior. Os valores dos exames de Matemática A e Português não foram exceção.

O top três das melhores escolas do país a Matemática A é ocupado por duas instituições públicas e uma privada: Escola Secundária de Figueira de Castelo Rodrigo; Escola Básica e Secundária Escalada; e o Colégio Efanor. 

Numa análise da Agência Lusa aos dados do Ministério da Educação, a que a TVI24 teve acesso, os finalistas do ensino secundário conseguiram melhores resultados no ano letivo 2019/2020 e a média de todas as provas foi de 13,3 valores a esta disciplina.

O ranking das melhores escolas do país a Matemática é maioritariamente ocupado por instituições privadas, principalmente da região Norte.

                  As melhores escolas do país a Matemática A

Concelho Escola Média de Exame
Figueira de Castelo Rodrigo   Escola Secundária de Figueira de Castelo Rodrigo (Público) 20,0
  Pampilhosa da Serra   Escola Básica e Secundária Escalada (Público) 19,8
Matosinhos Colégio Efanor (Privado) 19,21
Vouzela Escola Secundária de Vouzela (Público) 18,66
Santa Cruz da Graciosa Escola Básica e Secundária da Graciosa (Público) 18,35
Lisboa Academia de Música de Santa Cecília (Privado) 18,31
Paços de Ferreira Colégio Nova Encosta (Privado) 18,21
Vila Nova de Gaia Colégio Cedros (Privado) 17,9
Braga Colégio D. Diogo de Sousa (Privado) 17,86
Porto Colégio de Nossa Senhora da Paz (Privado) 17,80


A melhoria de quase dois valores em relação ao ano anterior refletiu-se também no número de escolas onde a média foi negativa, que é cada vez menor. Dos 621 estabelecimentos de ensino onde se realizou a prova, apenas 47 "chumbaram", o que representa 7,6%, um valor significativamente mais baixo em comparação com os 28,3% registados no ano anterior.

A subida da média nacional do exame de Matemática já se tinha verificado no ano letivo 2018/2019, mas no ano passado os alunos beneficiaram de novas regras para as provas finais do ensino secundário que, devido à pandemia de covid-19, deixaram de ser obrigatórias, servindo apenas como prova de ingresso.

Houve também novidades nas regras de classificação, que foram flexibilizadas com o objetivo de mitigar as desigualdades acentuadas pelo ensino à distância, e apenas foram contabilizadas as respostas às perguntas obrigatórias e aquelas em que o aluno tenha tido melhor pontuação.

No sentido inverso - as piores escolas do país a Matemática - o ranking é fortemente dominado pelas instituições de ensino público. Ainda assim, o segundo lugar da tabela é ocupado pelo Externato Académico, no Porto, seguido da Escola Básica e Secundária Passos Manuel, em Lisboa. O primeiro lugar pertence à Escola Básica e Secundária Mestre Domingos Saraiva, em Sintra, com uma média de 7,51 valores.

As piores escolas do país a Matemática A

Concelho Escola Média de Exame
Sintra Escola Básica e Secundária Mestre Domingos Saraiva (Público) 7,51
Porto Externato Académico (Privado) 7,48
Lisboa Escola Básica e Secundária Passos Manuel (Público) 7,23
Loures Escola Secundária de Camarate (Público) 6,94
Lisboa Externato Álvares Cabral (Privado)  6,26
Lisboa Escola Secundária Fonseca Benevides (Público) 6,25
Lisboa Escola Artística António Arroio (Público) 5,72
Lubango (Angola)  Escola Portuguesa do Lubango (Público) 5,27
Porto Escola Artística Soares dos Reis (Público) 5,1
Moita Escola Secundária da Baixa da Banheira (Público) 5,1

Dizer ainda que, mais uma vez, no que toca à Matemática, as raparigas destacam-se, voltando a ter um melhor desempenho neste exame, com uma média de 13,7 valores, ligeiramente melhor que os 12,9 valores conseguidos pelos rapazes.

Português

Esquecendo os números e passando às letras, as notas no exame nacional de Português voltaram a subir no ano passado, mas a média global acabou por ser uma das mais baixas.

Ainda assim, apesar da média ter melhorado, e de continuar a subir, o valor não é tão significativo como noutras disciplinas, entre elas, Biologia e Geologia ou Física e Química, em que o aumento foi superior a três valores.

De acordo com os dados do Ministério da Educação, no ano passado, a nota média a esta disciplina, que levou a exame 36.620 alunos, foi de 11,9 valores, pouco mais em relação aos 11,8 valores registados em 2019 e, apesar da melhoria, Português foi a segunda disciplina com a média positiva mais baixa.

Todavia, a ligeira subida da classificação média global foi também acompanhada do aumento da percentagem de escolas que conseguiram ter uma média positiva: 95,1% em comparação com as anteriores 92,3%.

No ranking das 10 melhores escolas do país a esta disciplina não houve espaço para instituições públicas. Assim, o pódio é ocupado por três escolas privadas da região Norte: Colégio Arautos do Evangelho, em Guimarães, Grande Colégio Universal, no Porto, e o Colégio Nossa Senhora do Rosário, também no Porto. 

As melhores escolas do país a Português

Concelho Escola Média de Exame
Guimarães Colégio Arautos do Evangelho (Privado) 17,75
Porto Grande Colégio Universal (Privado) 17,00
Porto Colégio Nossa Senhora do Rosário (Privado) 16,59
Guimarães Colégio do Ave (Privado) 16,56
Maia Colégio Novo da Maia (Privado) 16,47
Matosinhos Colégio Efanor (Privado) 16,46
Lisboa  Colégio Mira Rio (Privado) 16,31
Santo Tirso Colégio de Lourdes (Privado) 16,22
Braga Colégio D. Diogo de Sousa (Privado) 16,22
Lisboa Academia de Música de Santa Cecília (Privado) 16,0

É preciso chegar-se ao 14.º lugar do ranking geral para surgir a primeira instituição pública, a Escola Artística do Conservatório de Música do Porto, com 15,6 valores.

Os três distritos que conseguiram melhores resultados a Português são no Norte, com Viana do Castelo a ocupar o primeiro lugar, seguindo-se Braga e Viseu, enquanto os piores resultados foram registados nas escolas estrangeiras, na região autónoma da Madeira e em Bragança.

É precisamente nas escolas que alcançaram os piores resultados a Português que nos vamos agora centrar. Neste ranking, ao contrário do anterior, quem domina são as instituições públicas. 

Começando, desde já, pelo pódio que pertence a três escolas públicas dos distritos de Coimbra, Viana do Castelo e ao arquipélago dos Açores. São elas: Escola Básica e Secundária Escalada; Escola Básica e Secundária de Melgaço; e Escola Básica e Secundária da Graciosa.

              As piores escolas do país a Português

Concelho Escola Média de Exame
Pampilhosa da Serra Escola Básica e Secundária Escalada (Público) 9,02
Melgaço Escola Básica e Secundária de Melgaço (Público) 8,95
Santa Cruz da Graciosa Escola Básica e Secundária da Graciosa (Público) 8,94
Loures Escola Secundária José Cardoso Pires (Público) 8,60
Évora Os Salesianos - Colégio de Évora (Privado) 8,6
Díli (Timor-Leste) Escola Portuguesa Ruy Cinatti (Privado) 8,5
Moita Escola Secundária da Baixa da Banheira (Público) 8,43
Alfândega da Fé Escola Básica e Secundária de Alfândega da Fé (Público) 8,04
Lisboa Externato Álvares Cabral (Privado) 7,66
Leiria Escola Monsenhor José Galamba de Oliveira (Privado) 7,42

Também a Português a melhor média é a das raparigas, com 12,3 valores, em comparação com os 11,6 conseguidos pelos rapazes.

Habitualmente, o exame de Português é o mais concorrido, já que é feito pelos finalistas de todos os cursos cientifico-humanísticos, mas em 2020 houve menos quase 20 mil alunos a fazer esta prova do que no ano anterior, uma vez que não era obrigatória para concluir o secundário.

Para o ‘ranking’ das escolas do ensino secundário com melhores médias, a agência Lusa selecionou apenas aquelas onde tinham sido realizadas pelo menos 100 provas.

Já para chegar às médias das classificações conseguidas nas diferentes disciplinas, assim como as médias por distrito, foram contabilizadas todas as provas realizadas. A análise contempla 225.307 exames realizados.

A pandemia de covid-19 levou o Governo a suspender, no ano letivo de 2019/2020, as provas nacionais do 9.º ano, razão pela qual este ano não existem peças sobre resultados nesse ciclo de ensino.

No secundário, pela primeira vez, os dados enviados pelo Ministério não fizeram qualquer distinção entre alunos internos e externos.

Também este ano, a Lusa não analisou os dados relativos às notas internas dos alunos (CIF) uma vez que os dados disponibilizados pelo Ministério eram provisórios e a sua validação estava ainda em curso pelos serviços.

Cláudia Évora / com Lusa