Um em cada dez alunos que optou pela via profissional desistiu de estudar antes de terminar o ensino obrigatório, segundo uma análise feita pela Lusa ao percurso de mais de 30 mil estudantes ao longo dos três anos.

Entre os dados sobre o ensino profissional disponibilizados pelo Ministério da Educação destaca-se a percentagem dos que abandonaram a escola antes do tempo: 11,93% (3.621 alunos) deixaram de estudar, segundo uma análise que contabilizou cerca de 30 mil dos pouco mais de 100 mil estudantes que em 2017/2018 estavam a frequentar o ensino profissional.

No entanto, a maioria dos 30.333 alunos que escolheram um curso do ensino profissional em 2015/2016 conseguiu concluir os estudos dentro do tempo previsto, ou seja, dois em cada três alunos (19.030 - 62%) fizeram um percurso de sucesso e conseguiram terminar o curso profissional em 2017/2018 sem nunca chumbar ao longo dos três anos.

Já um grupo mais pequeno de 6.300 alunos (20%) reprovou ao longo do seu percurso académico, mas continuou inscrito na via profissional e outros 4,5% decidiram inscrever-se noutra modalidade do ensino secundário (1.382 estudantes).

Os dados mostram ainda que há cada vez mais escolas a conseguir melhorar a sua taxa de conclusão em três anos letivos. Num universo de 544 estabelecimentos com dados disponíveis, uma em cada quatro (142 escolas - 26%) conseguiu reduzir o número de alunos com chumbos ao longo dos três anos.

Por outro lado, houve outros 62 estabelecimentos de ensino (11,39%) cujas taxas de conclusão entre os anos letivos de 2015/2016 e 2017/2018 pioraram.

O ensino profissional parece estar a tornar-se numa opção cada vez mais atrativa para os jovens: no ano letivo de 2017/2018 havia mais de 110 mil alunos inscritos em cursos profissionais (mais de dois mil do que no ano anterior).

Os últimos dados disponibilizados pelo ME mostram também que tem aumentado a oferta, já que, de um ano para o outro, apareceram mais 353 cursos profissionais, ou seja, em 2017/2018 havia 3.202 cursos espalhados pelo país, dos quais 18 eram novos.

No entanto, os cursos com mais procura continuam a ser os de “Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos”, com quase dez mil estudantes, seguindo-se o “Técnico de turismo” e “Técnico de Multimédia”, este último com 6.925 alunos no ano letivo de 2017/2018.

Já a ideia de ser “Técnico de Máquinas Florestais” parece ser pouco atrativa, uma vez que não havia qualquer aluno inscrito neste curso no ano letivo de 2017/2018. Neste grupo dos cursos com menos procura encontram-se ainda a formação para Técnico de Construção Civil ou de Joalharia (com apenas cinco e dez alunos inscritos, respetivamente).

Na lista dos cursos menos procurados está também o de “Acompanhante de Turismo Equestre”, que seduziu apenas 17 alunos ou o de "Técnico de Assistente Dentário", com 16 inscritos.

As zonas de Lisboa e do Porto são as que concentram mais alunos e cursos, mas depois existem onze concelhos no país que têm apenas um curso disponível. Destes onze, há nove sem ensino profissional a funcionar: o único curso existente em Arraiolos, Arronches, Figueira de Castelo Rodrigo, Mora, Ourique, Tabuaço, Vila de Rei, Vila Flor e Vila Nova de Foz Coa não tinha nenhum aluno inscrito, segundo um levantamento feito pela Lusa.

/ AG