A mulher suspeita de tentar raptar um bebé, no último sábado, no Hospital de São João, no Porto, vai aguardar julgamento em prisão preventiva. A decisão foi tomada esta segunda-feira, pelo Tribunal de Instrução Criminal do Porto, onde a mulher foi sujeita a primeiro interrogatório judicial, durante cerca de duas horas e meia.

A mulher sai do tribunal indiciada por dois crimes: usurpação de funções, com uma moldura penal que pode ir até aos dois anos de cadeia, e tentativa de rapto, com uma moldura penal entre dois e oito anos de cadeia.

Bebés com pulseira eletrónica

Entretanto, o Hospital de São João, no Porto, de onde no sábado uma mulher tentou raptar um recém-nascido, garantiu esta segunda-feira  que todas as crianças internadas no Serviço de Obstetrícia têm uma pulseira eletrónica “permanentemente ativa”.

Todos os recém-nascidos no Serviço de Obstetrícia têm uma pulseira eletrónica que dispara o alarme sempre que a criança sai fora de um perímetro predefinido no interior do serviço”, disse o hospital, em comunicado.

Apesar de ter instaurado um inquérito interno, o centro hospitalar assegura que os dispositivos de segurança dos nascituros “estiveram e estão permanentemente ativos”, reafirmando que todas as crianças internadas dispõem de uma pulseira eletrónica, não sendo possível sair do serviço com um recém-nascido sem o competente processo estar clinicamente encerrado.

Este sistema de segurança implica que a entrada e saída do Serviço de Obstetrícia seja feita exclusivamente através de porta com dispositivo eletrónico de acesso com cartão de profissional daquele serviço, possuindo videovigilância no corredor de acesso ao mesmo, explicou.

O hospital adiantou ainda que o serviço dispõe de um posto de segurança/portaria, sendo que todas as visitas são identificadas à entrada do serviço com o registo dos dados do cartão de cidadão de cada familiar/visita e número da cama do familiar que vem visitar.

Nenhum caso de rapto consumado

Nunca houve um caso de rapto consumado no Serviço de Obstetrícia, desde que, há mais de dez anos, foi instalado o sistema de segurança atual, referiu.

A segurança das pessoas internadas no Centro Hospitalar Universitário de São João é uma preocupação constante do seu Conselho de Administração e dos seus profissionais”, vincou.

A unidade de saúde salientou ainda que as conclusões do inquérito serão “tornadas públicas e totalmente respeitadas”.

No sábado, ao princípio da noite, uma mulher envergando uma bata de profissional de saúde tentou raptar um recém-nascido do berçário do Hospital de São João.

Contactada pela agência Lusa, uma fonte do Comando Metropolitano da PSP do Porto adiantou que a mulher, de 48 anos, apresentava-se como uma profissional de saúde, vestindo uma bata e usando um estetoscópio, quando entrou no quarto onde estava o bebé e familiares.

A mulher "chegou a pegar na criança ao colo", mas o pai estranhou a situação e decidiu chamar a polícia às 19:22 de sábado, tendo a suspeita acabado por ficar detida, disse.