O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas classifica a missão na República-Centro Africana como sendo “a mais arriscada” onde já esteve um contingente português, desde “o fim da guerra do Ultramar”.

Esta semana, o ministro da Defesa também assumiu que a situação na República Centro-Africana é "extremamente preocupante" e que, apesar disso, a força portuguesa "está a desempenhar as missões mais difíceis e está a fazê-lo com êxito total” fazendo "a diferença".

Os militares portugueses estiveram no dia 10 deste mês, durante cerca de cinco horas, envolvidos em combate em Bambari, cidade a 400 quilómetros da capital, Bangui.

Hoje, o CEMGFA disse que “esta é, como eu tenho referido, a missão mais arriscada que as Forças Armadas portuguesas realizaram desde o fim o da guerra do Ultramar”.

Num almoço-debate promovido pelo International Club of Portugal, que decorreu num hotel em Lisboa, Silva Ribeiro salientou que esta é “uma missão importantíssima” e “extremamente exigente”, que “tem sido objeto de grande atenção e de grande relevo, mesmo no quadro daquilo que são as missões das Nações Unidas”.

A nossa força de reação imediata é uma força altamente preparada, muito bem equipada, muito bem treinada, tem tido um desempenho operacional extraordinário, que tem recebido os maiores elogios de todos os responsáveis políticos e militares na República-Centro Africana e, evidentemente, é uma missão que exige grande atenção”.

Por isso, os militares destacados - maioritariamente do exército, mas também da força aérea - “são chamados para as missões mais difíceis”, aquelas onde “é preciso combater, e quando chegam lá resolvem os problemas, e isso é que faz toda a diferença”.

“Muito embora seja uma missão de risco, é uma missão que tem um propósito humanitário fundamental”, precisou o almirante, considerando que a presença portuguesa “demonstra bem a capacidade, a solidariedade de Portugal e dos portugueses que têm os seus filhos nessas operações, e de todo o país para com uma população martirizada e muito sacrificada da República-Centro Africana”.

Silva Ribeiro explicou que naquele país “existem 18 grupos armados que perturbam o exercício da autoridade do Estado pelo Governo democraticamente e legitimamente eleito”, que “não tem capacidade para controlar a situação do país”.

De acordo com o CEMGFA, desde “quinta-feira passada” que a força portuguesa “tem estado empenhada em ações de grande complexidade, de grande risco”, mas “tudo tem corrido bem até agora”. Assim, o responsável apontou que “todos os movimentos” da força são acompanhados “a par e passo, continuamente” no centro de operações, em Lisboa.

Nós monitorizamos passo a passo tudo o que se passa na República-Centro Africana, e periodicamente fazemos reuniões, como fizemos ontem [quinta-feira] de avaliação para a tomada de decisão sobre que meios é que eles precisam para manterem o diferencial tecnológico para que consigam ter superioridade relativamente aos grupos armados que têm de enfrentar no quadro daquilo que são as orientações e as missões que as Nações Unidas nos determinam”.

Questionado sobre a possibilidade de Portugal reforçar a força com mais homens e mais meios, o CEMGFA recusou. “Mais homens não creio. Nós fizemos um reforço recente com seis Pandur [viatura blindada], e portanto temos neste momento 179 homens, que são maioritariamente do exército, e quatro da força aérea, que são controladores aéreos”, afirmou.

Porém, o almirante Silva Ribeiro não descarta um envio de mais material, entre munições e “armamento tecnologicamente mais sofisticado”. “Mas será no quadro deste tipo de contingente que lá está, apenas pontualmente reforçando, por exemplo, com drones para darem capacidade de visão e de antecipação das ameaças que vão enfrentando nas deslocações que fazem”.