Está tudo pronto para o início do reforço da vacina contra a covid-19, para maiores de 65 anos, a partir de 11 de outubro. A informação foi avançada segunda-feira, pelo secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales. O governante anunciou que a DGS iria publicar em breve a norma de suporte técnico relativa à dose de reforço. Todavia, esta ainda não foi divulgada.

No entanto, há factos que já são conhecidos sobre o processo. 

Quando é que começa a ser administrada?

A data marcada para o início da vacinação de reforço dos maiores de 65 anos é 11 de outubro e espera-se que esteja concluído até ao final de dezembro de 2021.

A data foi avançada por António Lacerda Sales, secretário de Estado Adjunto e da Saúde. Quanto ao final do processo, foi o próprio primeiro-ministro, António Costa, que admitiu que o processo de vacinação com a terceira dose para maiores de 65 anos esteja concluído antes do Natal.

Diogo Urjais, presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar, também confirmou à TVI24 que “os centros estão preparados para isto e o sistema também está montado”, e acredita ser “possível tudo estar terminado até ao Natal”.

Recorde-se que a terceira dose das vacinas contra a covid-19 das farmacêuticas Pfizer e Moderna já estão a ser administradas aos doentes imunossuprimidos em Portugal. 

Neste caso, a recomendação da Direção-Geral da Saúde foi dada no dia 1 de setembro e a dose de reforço só é dada a pessoas com imunossupressão sob orientação e prescrição de um médico assistente. Esta recomendação da DGS engloba pessoas com mais de 16 anos e com condições específicas, que, segundo os vários estudos e opiniões de especialistas, têm tendência a perder anticorpos de forma mais rápida quando comparadas com outras pessoas sem condições adjacentes.

Quem vão ser os primeiros a receber a dose de reforço?

A administração da vacina irá começar pelos lares de idosos e pela população acima dos 80 anos de idade. Sendo que irá apenas abranger, sem ser em situações específicas já previstas pela DGS, a população acima dos 65 anos.

O reforço da vacina vai seguir a mesma fórmula” que no início do processo da vacinação, explica à TVI24 Diogo Urjais, presidente da Associação Nacional das Unidades de Saúde Familiar.

Recorde-se que foi a 27 de dezembro de 2020 que foi administrada a primeira vacina contra a covid-19, em Portugal. “Faz sentido que assim seja”, diz Diogo Urjais, que lembra que “já passaram muitos meses desde que as populações mais vulneráveis foram vacinadas”.

Quando deve ser tomada a dose de reforço?

Quando confirmou que o reforço da vacina contra a covid-19 ia avançar para os maiores de 65 anos, o secretário de Estado, António Lacerda Sales, lembrou que esta dose de reforço terá sempre que ser administrada seis meses após a segunda dose.

Recorde-se ainda que o primeiro-ministro, António Costa, garantiu, no final de setembro, que, perante uma decisão favorável para uma terceira dose da vacina contra a covid-19, o país tem contratado número suficiente de vacinas para inocular toda a população portuguesa.

Se a decisão for vacinar, nós temos já contratado número suficiente de vacinas para vacinar toda a população", frisou o primeiro-ministro, no último dia de trabalho da task-force para a vacinação em Portugal.

Qual o intervalo entre as vacinas da gripe e a dose de reforço?

Como os processos da vacinação contra a gripe e do reforço da vacina contra a covid-19 vão decorrer em simultâneo, terá de haver “um intervalo de 14 dias” entre ambas, explica à TVI24 Diogo Urjais.  Ou seja, uma pessoa vacinada contra a gripe, e que seja elegível para um reforço contra covid-19, terá de esperar, pelo menos, 14 dias.

A TVI24 questionou ainda a DGS sobre quantas vacinas estão disponíveis no país para serem administradas; quais as marcas dessas vacinas e se será possível que, no reforço, seja aplicada uma vacina de uma marca diferente das duas doses já administradas anteriormente. E, por fim, saber como as pessoas vão ser chamadas para a terceira dose: se através de SMS, ou através de um contacto dos Centros de Saúde. No entanto, não obtivemos resposta até ao momento.

A TVI24 tentou também apurar junto dos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde como as pessoas vão ser chamadas para a dose de reforço, mas sem sucesso.

Qual o parecer da Agência Europeia do Medicamento?

No mesmo dia que António Lacerda Sales confirmou que ia avançar em outubro o reforço da vacina contra a covid-19 para os maiores de 65 anos, foi também conhecido o parecer da Agência Europeia do Medicamento.

A Agência Europeia do Medicamento recomendou a toma de uma terceira dose da vacina contra a covid-19 da Pfizer e da Moderna apenas a doentes com sistemas imunitários "severamente enfraquecidos". Ou seja, como já acontece em Portugal.

A recomendação do regulador europeu surge na sequência de estudos que mostram que uma terceira dose "destas vacinas" aumenta a capacidade de produção de anticorpos contra o SARS-CoV-2 em pacientes transplantados com sistemas imunitários mais frágeis. 

A Agência Europeia do Medicamento lembra, também, que, "a nível nacional", os países "podem emitir recomendações oficiais sobre a toma de doses de reforço, tendo em conta os dados de eficácia que vão sendo conhecidos e os dados de segurança limitados".

A Agência Europeia de Medicamentos adiantou, ainda, que doses de reforço da vacina da Pfizer “podem ser consideradas” para pessoas com mais de 18 anos, após seis meses da segunda dose, para aumentar os anticorpos.

A não esquecer:

  • Começa a 11 de outubro
  • Lares e população com mais de 80 anos
  • Mais de seis meses após a segunda dose
  • 14 dias de intervalo entre o reforço da vacina contra a covid-19 e a vacina da gripe
  • Processo deverá terminar até final de dezembro de 2021
Patrícia Pires