O Alto Comissariado para as Migrações (ACM) recebeu, no espaço de quatro dias, 4.429 respostas por parte dos portugueses, com propostas de acolhimento, alojamento, bens essenciais, apoio psicológico e apoio social para as famílias afegãs que vão chegar ao país. 

A resposta foi bastante positiva e dispomos, até ao momento da confirmação de disponibilidade de acolhimento de mais de 300 cidadãos, distribuídos pelo país", lê-se na nota a que a TVI24 teve acesso. 

No dia 17 de agosto foi divulgado um formulário público para cidadãos individuais, que foi estendido até às 15:00 do dia 20. Durante este período, 840 portugueses disponibilizaram-se enquanto família de acolhimento, 350 estão disponíveis para ceder alojamento, 4.666 ofereceram bens essenciais, 941 apoio psicológico e 1.611 apoio social. 

A possibilidade de alojamento imediato foi ainda manifestado pelas seguintes entidades: 

  • Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
  • Câmara Municipal de Sintra
  • Câmara Municipal do Fundão
  • Câmara Municipal de Lisboa
  • Cruz Vermelha Portuguesa
  • Conselho Português para os Refugiados
  • ADOLESCER
  • ENTREMUNDOS
  • Púcura de Barro
  • Fios e Desafios
  • FISOOT Lda.
  • Centro Social Soutelo

Todas elas estão a trabalhar em conjunto com a ACM para preparar a chegada dos 300 cidadãos afegãos a Portugal, tendo sido promovidas "reuniões de acompanhamento, visitas aos alojamentos e atualização diária das disponibilidades demonstradas".

Segue-se agora a análise dos formulários recebidos, cujos critérios de avaliação são semelhantes aos definidos para o acolhimento e integração de agregados familiares, ou cidadãos isolados, acompanhados ao abrigo dos Programas de Reinstalação e Recolocação, da responsabilidade deste Alto Comissariado.

Esta análise prevê, um questionário de follow up, que permitirá conhecer com maior detalhe as tipologias de alojamento e constituição das famílias de acolhimento, para melhor adequação das necessidades às respostas disponíveis", acrescenta a nota. 

Recorde-se que os talibãs conquistaram Cabul em 15 de agosto, concluindo uma ofensiva iniciada em maio, quando começou a retirada das forças militares norte-americanas e da NATO.

As forças internacionais estavam no país desde 2001, no âmbito da ofensiva liderada pelos Estados Unidos contra o regime extremista (1996-2001), que acolhia no território o líder da Al-Qaida, Osama bin Laden, principal responsável pelos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001.

A tomada da capital pôs fim a uma presença militar estrangeira de 20 anos no Afeganistão, dos Estados Unidos e aliados na NATO, incluindo Portugal.

Cláudia Évora