A investigação do Ministério Público ao lar de Reguengos de Monsaraz terá começado ainda antes de terem sido conhecidos os relatórios, que revelaram a alegada negligência no cuidado aos idosos.

A Administração Regional de Saúde do Alentejo diz que poderia ter feito alguns ajustes à estratégia, mas garante: no essencial cumpriu com o que foi pedido pelos médicos.

A alegada negligência no tratamento dos idosos já era tema de conversa entre a população de Reguengos de Monsaraz e esse terá sido um dos motivos que, segundo o Público levaram o Ministério Público primeiro a averiguar, depois abrir inquérito-crime no DIAP de Évora.

O jornal escreve que foram pedidos registos clínicos ao hospital de Évora e à Segurança Social, tudo isto no início de julho, antes de ter sido concluída a auditoria da Ordem dos Médicos que dá conta de falhas graves no cumprimento das normas da direção geral da saúde.

No mesmo relatório, ao qual a TVI teve acesso, é revelado que os membros da Comissão de Inquérito da Ordem dos Médicos que fizeram o relatório sobre o lar de Reguengos de Monsaraz não tiveram permissão para visitar as instalações durante a realização do inquérito, nem tiveram resposta ao pedido para aceder ao relatório de avaliação da situação inicial feito pela Autoridade de Saúde.

"Não foi possível ter acesso ao relatório da avaliação inicial da situação pela Autoridade de Saúde, com caracterização do perfil de saúde de cada utente e decisão sobre abordagem clínica. O documento foi solicitado ao Delegado de Saúde Coordenador (responsável pela execução do relatório) que referiu que o documento tinha que ser solicitado ao Presidente da ARS Alentejo. O pedido seguiu esta via. Aguarda-se resposta. (...) Não foi possível efetuar visita às instalações do lar (apenas as do pavilhão). Deram a informação de que o edifício estaria em desinfeção e remodelação".

A Ordem escreve também que a Autoridade de Saúde Pública não visitou o lar uma vez que o delegado de saúde delegou a função numa enfermeira por ter mais de 70 anos e ser ele também grupo de risco.

"A Autoridade de Saúde Pública local não realizou visita ao Lar (edifício original). O Dr. Augusto Santana Brito, Delegado de Saúde Coordenador, justifica o facto por pertencer ele próprio a um grupo de risco (> 70 anos). Resolveu “delegar” esta sua função à Sra. Enf. Isabel Marques, membro do PPCIRA do HESE, que procedeu à visita no dia 23 de junho".

Este é apenas um dos quatro relatórios que já foram escritos sobre o surto de Reguengos. Além da Ordem dos Médicos, o lar, o município e a Administração Regional de Saúde também fizeram a sua leitura dos acontecimentos.

À TVI, o diretor da ARS Alentejo assume que a atuação poderia ter alguns ajustes mas que, no essencial, cumpriu.

Já a Ordem dos Médicos considera, em comunicado, "que a pronúncia da ARS do Alentejo sobre o Relatório da Comissão de Inquérito da Ordem dos Médicos sobre o Lar da FMIVPS de Reguengos de Monsaraz revela que o Presidente do Conselho Diretivo da ARSA, Dr. José Robalo, assume a responsabilidade pelas deficiências encontradas pela Comissão de Inquérito, ao não contestar de forma fundamentada as principais conclusões do Relatório da Auditoria realizada".