As vendas de produtos antiparasitários capilares utilizados no combate a piolhos foram de quase 340 mil embalagens em 2019, registando um aumento no consumo de quase 5% em relação a 2018, ano em que se venderam 323 mil, indica a Associação Nacional de Farmácias.

Dados da Associação Nacional de Farmácias (ANF) demonstram que em 2019, Portugal consumiu 338.382 embalagens de produtos de combate ao piolho (parasita que se alimenta de sangue humano para viver), e que o mês com maior consumo foi agosto, com 43.325 embalagens vendidas nas farmácias portuguesas.

O aumento de venda de produtos de combate aos piolhos já se verificou em 2018, com mais 4% em relação a 2017.

Em 2018 venderam-se no país mais 12.556 embalagens de produtos antiparasitários (322.871) do que em 2017 (310.315).

À semelhança de 2019, agosto foi também a altura do ano em que se registaram as vendas mais elevadas, com 41.904 vendidas e 2017, e 41.892 embalagens em 2018.

Os dados da ANF indicam que, na lista do ‘top’ três, além de agosto constam os meses de julho e setembro. Nos restantes meses do ano, o consumo de embalagens ronda uma média de 20 a 25 mil embalagens.

Alberto Coelho, da Ordem dos Farmacêuticos da Secção Regional Norte, confirma um “ligeiro aumento da pediculose”, sobretudo nos meses de regresso às aulas”, altura em que começam as infestações, embora haja procura todo o ano.

A procura é feita não só para o tratamento, mas também de repelentes que previnam o aparecimento dos piolhos e das lêndeas”, acrescenta Alberto Coelho, avisando que a infestação se dá “por contacto” e por utilização de “pentes e bonés” e outros objetos partilhados, porque o “piolho não voa, não salta e não sabe nadar”.

Os chapéus de sol das crianças guardados no mesmo baú nos infantários, as almofadas e lençóis da hora da sesta podem ser outras razões para um maior contágio nas escolas.

Uma notícia do jornal norte-americano Business Insider já referia em 2016 que os norte-americanos estavam a viver uma tormenta por causa dos “piolhos mutantes”, também chamados de “super piolhos”, por aqueles parasitas estarem a ficar mais resistentes à permetina, um composto sintético utilizado em inseticidas e aplicado de forma tópica em concentração de 1% a 5% no tratamento de piolhos.

Questionada pela Lusa sobre a forma de combate ao piolho nas escolas públicas, a Direção-Geral da Saúde explicou que quando os agrupamentos escolares enviam alertas de situações difíceis de eliminação do surto de piolhos, o método é avançar com equipas de saúde escolar.

Os agrupamentos de escolas solicitam a intervenção das Unidades de Saúde Pública, que recebem o alerta caso haja deteção e/ou situações difíceis de eliminação do surto de piolhos no parque escolar e ativam as equipas de saúde escolar no sentido de promover ações de sensibilização, junto da comunidade escolar”, lê-se numa nota por escrito enviada à Lusa.

Alguns colégios privados apostam, por outro lado, em lançar alertas via correio eletrónico à comunidade escolar, para que os encarregados de educação inspecionarem as cabeças das crianças.

No colégio "Primeiros Passos", com escolas no Porto e Matosinhos, enviam primeiro um alerta amarelo, no caso de haver poucos casos, e só depois lançam o alerta vermelho, a pedir uma inspeção aos cabelos das crianças num determinado fim de semana, para que regressem na segunda-feira seguinte “sem piolhos e lêndeas, mesmo que mortas”.

O colégio inclui na mensagem de alerta informações para limpar também estofos do carro e indicam a obrigatoriedade das meninas irem com o cabelo preso ou com um lenço.

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