Em Lisboa, na freguesia da Ajuda, está a nascer um projeto polémico com 38 mil metros quadrados para construção imobiliária junto ao Palácio Nacional.

Os terrenos que eram públicos, e integravam a zona especial de proteção do Palácio, acabaram nas mãos de privados. No ano de 2000, foram vendidos por três milhões de euros a um fundo imobiliário e já este ano foram comprados por 17 milhões. 

O grande empreendimento, que está ainda em fase inicial, traz mais condomínios fechados à cidade e um total de 38.814 metros quadrados de construção, acima daquilo que é permitido.

É uma espécie de OVNI que quer aterrar aqui e competir com o Palácio da Ajuda em importância, no tamanho e na volumetria. E que não personifica uma habitação acessível para as pessoas normais, para os lisboetas”, afirma Sandra Oliveira, do movimento Cidadãos pela Ajuda.

Na Unidade de Execução da Ajuda, que está em discussão pública, e que "consiste na fixação em planta cadastral dos limites físicos da área a sujeitar a intervenção urbanística e com identificação de todos os prédios abrangidos", segundo a Câmara de Lisboa, toda a zona em que está a ser projetado o empreendimento é dada como propriedade do Estado.

Os atuais moradores, cerca de 15 agregados familiares, e alguns com contratos de arrendamento, segundo a junta de freguesia, desconhecem o que o futuro lhes reserva, nomeadamente quando a obra arrancar e tiverem de deixar as casas onde moram.

Não quero que me paguem, quero uma casa na Ajuda. Porque sei que há muitas vagas”, diz José Carlos Gomes.

Também a moradora Pureza Bastos é contra a proposta.

Tem de haver uma solução qualquer”, pede, sublinhando que a mesma pode passar por "uma casa aqui perto”.

Terrenos Cobiçados” é uma reportagem de Maria José Garrido com imagem de Miguel Bretiano, Romeu Carvalho e Tiago Eusébio e edição de imagem de Carlota Paim.

Maria José Garrido