É um dos negócios mais rentáveis para os bancos. As dívidas por cobrar são colocadas em listas e vendidas a preço de saldo a empresas de gestão e cobrança. A banca fica livre desse crédito malparado e assim os bancos podem ter resultados mais positivos.

Mas nessas vendas são muitas vezes passados créditos já pagos. São também transmitidos os seus dados pessoais de empresa em empresa sem que o possa impedir. O Banco de Portugal não consegue regular as empresas de Gestão e cobrança de crédito porque não são instituições financeiras e porque não existe legislação que o permita. Muitas vezes as pessoas recebem cartas ou mensagens de empresas de que nunca ouviram falar a pedir para pagarem dívidas antigas.

No meio deste vazio legal há reféns do crédito, cidadãos que garantem que não têm nenhuma dívida e lutam para que o seu nome seja limpo da Central de Responsabilidade de Crédito do Banco de Portugal, uma espécie de placard onde o sistema financeiro sabe quem é bom ou mau pagador. Pode por isso ficar sem poder recorrer a um empréstimo numa situação de urgência de saúde ou simplesmente para comprar um bem a prestações.

Sem qualquer regulamentação específica as empresas que gerem crédito malparado têm por vezes abordagens agressivas, ligam dezenas de vezes por dia a quem entendem ter uma dívida e chegam a contactar vizinhos, familiares e colegas de trabalho do devedor.

Estas empresas gerem também dívidas a empresas de telecomunicações, de seguros e estão em grande expansão. Mas falta uma lei que regule a atuação e o código de conduta.