Equipas de socorro espanholas resgataram esta sexta-feira 49 migrantes de origem magrebina, 47 homens e duas mulheres, nas proximidades do ilhéu de Alegranza, junto de Lanzarote, num dia em que foram encontrados quatro cadáveres numa praia perto de Rabat.

Os cerca de 50 migrantes do norte de África foram encontrados, pelas 11:00, a 5,5 milhas náuticas (cerca de 8,8 quilómetros) de Alegranza, adiantaram as autoridades estatais espanholas à agência de notícias EFE.

Após serem salvos pelo navio de resgate Salvamar Al Nair e pelo avião Sasemar 102, os migrantes foram encaminhados para o cais de La Cebola, na capital de Lanzarote, Arrecife.

Também hoje foram encontrados quatro corpos de migrantes marroquinos que tentavam chegar à Europa, incluindo duas mulheres jovens, numa praia próxima da cidade marroquina de Skhirat, perto de Rabat, segundo as autoridades e a família de uma das vítimas mortais.

Outras três pessoas foram resgatadas depois da sua embarcação ter encalhado na foz do Wai Cherrat, no Oceano Atlântico.

Estamos em choque. O meu primo, de 29 anos, é uma das quatro vítimas [mortais], todas marroquinas. Não sabíamos que ia tentar a travessia”, confidenciou uma fonte familiar à agência de notícias AFP, que pediu anonimato.

Os três sobreviventes foram transferidos para um hospital na área, enquanto as equipas de resgate tentavam localizar outros passageiros do barco.

As autoridades da província confirmaram à agência de notícias marroquina MAP que a embarcação – que transportava entre 10 e 20 migrantes, segundo testemunhos recolhidos no local – encalhou na manhã de quinta-feira perto de Skihart, sem adiantar mais pormenores.

“Não sabemos exatamente quantas pessoas estavam a bordo e quando embarcaram. O que sabemos é que perdemos quatro pessoas, incluindo duas mulheres na casa dos 20 anos”, disse o primo de uma das vítimas, cuja família habita numa área à beira-mar da cidade de Skihart.

De acordo com as autoridades locais, foi aberta uma investigação para “determinar as circunstâncias em torno da organização da operação”.

Entrevistados pela AFP, os pescadores locais disseram que é “bastante comum as embarcações saírem [daquela zona costeira] com destino a Espanha continental”.

Além disso, mais a sul, as autoridades locais da região de Laayoune, no Saara Ocidental, detiveram hoje dois grupos de um total de 106 candidatos a migrantes, quando se preparavam para fugirem para as Ilhas Canárias, indicou a MAP.

Ao sul do porto de Laayoune, outros 75 migrantes foram detidos pelos serviços de segurança e foi apreendido um barco insuflável, adiantou a agência marroquina, que relatou outras tentativas frustradas, especialmente nas províncias de Boujdour, ao sul de Laayoune, e Tarfaya, ao norte. Essas tentativas também resultaram em dezenas de detenções e na apreensão de botes insufláveis e embarcações com motor.

Apesar do reforço dos controlos, os fluxos migratórios de Marrocos para a Europa continuam nas rotas marítimas do Oceano Atlântico ou do Mar Mediterrâneo.

No total, 27.136 migrantes chegaram por mar a Espanha, entre janeiro e o final de setembro deste ano, segundo os últimos dados do Ministério do Interior espanhol. É uma subida de 53,8% em relação ao mesmo período de 2020.

/ JGR