A acusação do megaprocesso do universo Espírito Santo está pronta. A TVI sabe que o despacho vai ser emitido nas próximas três semanas, a tempo de evitar a prescrição de um dos crimes. 

Com Ricardo Salgado, vão ser acusadas mais de quatro dezenas de pessoas, entre os quais administradores e gestores do grupo GES.

A acusação do principal processo referente a crimes revelados pela queda do GES, há seis anos, está pronta, tem milhares de páginas, e deverá ser conhecida até 16 de julho, quando começam as férias judiciais, 

Mesmo a tempo de evitar a prescrição do crime de falsificação de documentos. 

A TVI sabe que deverão ser acusadas mais de quatro dezenas de pessoas, entre os quais Amílcar Morais Pires, braço direito de Ricardo Salgado, e a diretora financeira do BES, Isabel Almeida, ou também José Manuel Espírito Santo, primo de Salgado e antigo administrador. 

Além de crimes de falsificação, deverão ainda responder por associação criminosa, burlas qualificadas, abuso de confiança e branqueamento de capitais. 

No centro da acusação também deverão estar responsáveis da Eurofin, entidade com sede na Suíça, que era útil ao Grupo Espírito Santo, num alegado esquema de lavagem de dinheiro.

Os procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) estão a chamar os visados para interrogatórios complementares, para serem confrontados com novos factos apurados nos últimos anos. 

A TVI sabe também que alguns estarão em parte incerta, ainda por localizar. 

Do processo principal foram entretanto extraídas várias certidões, aguardando-se com expetativa para perceber que dossiers fazem parte do primeiro despacho de acusação e quais serão alvo de acusações posteriores. 

Nomeadamente, em relação à questão da Venezuela, em que se investigam crimes como corrupção relacionados com pagamentos de luvas a diversos titulares de cargos políticos e a responsáveis de empresas públicas venezuelanas para que empresas como a petrolífera e filiais comprassem dívida da ESI e de outras 'holdings' do GES.

O certo é que o esquema de venda de dívida da Espírito Santo Internacional, que estava falida, aos balcões do BES, mascarado como se fossem obrigações da Rioforte, será um dos pontos desta acausação. Aliás foi a partir daqui que começou toda a investigação criminal. 

O Banco de Portugal fez soar o alerta, uma vez que tinha proibido a ESI de vender dívida e percebeu que o grupo estava a fazer o contrário. 

Este foi o ponto de partida para descobrir o que a investigação diz ser o esquema montado pelo grupo espírito santo para ganhar liquidez.