A defesa de Ricardo Salgado alega que o arguido da Operação Marquês tem vindo a fazer vários exames que comprovam sinais de demência, pelo que exige uma nova perícia para confirmar se o ex-banqueiro tem ou não condições de ir a julgamento ser interrogado.

Citando os vários exames e os médicos que observaram Salgado nos últimos tempos, o requerimento da defesa alega que, ainda não existindo um diagnóstico final, é preciso “investigar um quadro clínico de síndroma demencial, nomeadamente uma Doença de Alzheimer”.

Para isso, sublinha a necessidade de uma perícia médica do foro neurológico, “estritamente necessária e obrigatória” perante estes sinais de “lapsos de memória”, perda de “força e a determinação que lhe eram características”, encontrando-se “abatido” e com “uma lentificação generalizada”.

Essa perícia, segundo a defesa do ex-banqueiro, servirá para avaliar se "a capacidade cognitiva" de Ricardo Salgado, "incluindo a nível de memória e capacidade de interacção de resposta", será afetada "em cenários de stress", exemplificando com "um interrogatório judicial em julgamento, na qualidade de arguido".

Ricardo Salgado, de 76 anos, começou a ser julgado por três crimes de abuso de confiança, devido a transferências de mais de 10 milhões de euros, no âmbito do processo Operação Marquês.

O arguido foi dispensado de comparecer em tribunal devido à pandemia. Entretanto, foi captado de férias na Sardenha.