A Câmara de Chaves alertou hoje para o agravamento das condições climatéricas “com precipitação constante e intensa durante todo o dia”, que irá manter o rio Tâmega com "previsão de subida significativa" nas próximas horas.

Em comunicado divulgado às 12:30, a autarquia do distrito de Vila Real adiantou que o rio assume agora uma quota de 3,20 metros acima do normal.

Em função de nova avaliação dos serviços de Proteção Civil, em articulação com técnicos espanhóis, o caudal do rio Tâmega manterá nas próximas horas uma subida significativa, agravando a condição de cheias”, refere a nota.

O município transmontano reforça ainda a necessidade de “aplicação de medidas de autoproteção e salvaguarda de bens, nomeadamente em habitações e comércios localizados nas margens do rio”.

Por volta das 10:00 de hoje o rio que atravessa aquela localidade do distrito de Vila Real continuava a subir, mas com menos intensidade, agora a “um centímetro por hora”, face aos 10 centímetros por hora que se registaram durante a noite.

Temos já uma área inundada bastante significativa, atingindo níveis das cheias de 2010", explicou o comandante da Proteção Civil municipal, Sílvio Sevivas.

Além da inundação de alguns estabelecimentos comerciais no centro histórico, junto à zona ribeirinha, a preocupação prende-se com o condicionamento do trânsito na Avenida Dom João I e numa rua paralela, Dom Afonso III, zona que concentra várias superfícies comerciais e restaurantes.

Também o trânsito está condicionado desde quinta-feira à tarde na envolvente do rio por motivos de segurança.

A subida do rio Tâmega causou a inundação da Veiga de Chaves, que ocupa uma área de 2.500 hectares e que tem cerca de 8,5 quilómetros de comprimento e três de largura, deixando algumas habitações circundadas por água.

"Há habitações que estão circundadas por água, mas as pessoas continuam no seu interior, depois de terem salvaguardado os seus bens, graças à prevenção feita na quinta-feira", vincou Sílvio Sevivas.

A passagem da depressão Elsa, em deslocação de norte para sul, provocou em Portugal dois mortos, um desaparecido e deixou 70 pessoas desalojadas, registando-se até à manhã de hoje mais de 6.200 ocorrências.

Num balanço feito à agência Lusa cerca das 09:00 de hoje, o comandante Paulo Santos, da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), disse que foram registadas 6.237 ocorrências desde quarta-feira, afetando em especial os distritos de Porto, Viseu e Lisboa.

O responsável destacou como ocorrências principais as quedas de árvores, movimentos de terras, inundações e quedas de estruturas. O mau tempo provocou também danos na rede elétrica, afetando a distribuição de energia a milhares de pessoas, em especial na região Centro.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tem hoje sob aviso laranja (o segundo mais grave) 12 distritos de Portugal continental e a costa norte da Madeira devido sobretudo à agitação marítima. Leiria, Santarém e Portalegre estão sob aviso laranja também devido às previsões de precipitação forte durante a tarde.

O IPMA alertou para os efeitos de uma nova depressão, denominada Fabien, que atingirá Portugal no sábado, em especial o Norte e o Centro, estando previstos intensos períodos de chuva e vento forte de sudoeste, com rajadas que podem atingir 90 km/hora no litoral norte e centro e 120 km/hora nas terras altas.

Segundo o IPMA, os efeitos da depressão Fabien não deverão ter em Portugal continental a mesma intensidade do que os da tempestade Elsa, prevendo-se uma melhoria gradual do estado do tempo a partir de domingo.

/ BC