Jorge Roque da Cunha, presidente do Sindicato Independente dos Médicos, esteve no “Esta Manhã”, onde abordou a demissão em massa dos diretores dos serviços de urgência do Hospital de Braga.

Os colegas em Braga têm mais de 400 horas extraordinárias este ano. Os diretores da equipa de urgência, depois de algumas tentativas de contacto com o Conselho de Administração, fizeram o que tinham a fazer”, afirma o sindicalista.

Roque da Cunha apontou a falta de médicos como resultado de uma “grelha salarial baixa”, em que um médico especialista aufere 1.800 euros líquidos por mês por 40 horas de trabalho semanais.

A solução encontrada é recorrer a empresas de prestação de serviços. O ano passado foram 140 milhões despendidos apenas nestes serviços. Ao mesmo tempo, não se pode pedir mais trabalho aos médicos. Em 2020, efetuaram-se 8 milhões de horas extraordinárias”, vincou.

O médico mostra-se muito crítico da ministra da Saúde, considerando que “continua a pintar o país como um país cor-de-rosa. Biliões [sic] de euros no SNS, milhares de médicos contratados. No terreno, nada disso acontece. Não fala connosco há mais de dois anos".

Roque da Cunha acusa Marta Temido de tentar resolver os problemas do SNS “com propaganda”, reconhecendo que os problemas “crónicos” não se resolvem “da noite para o dia”.

Não é possível fixar médicos no SNS com salários de 1800 euros quando, ao lado, têm prestadores de serviço [no sistema privado] a auferir o dobro e com um regime fiscal mais simpático. Esta ideia, que não rejeitamos e até achamos correta, tem um pecado original: estar a ser associada a uma negociação do Orçamento do Estado”.

Sobre o documento, que vai a aprovar na generalidade na quarta-feira, Roque da Cunha tem dúvidas de que o aumento de financiamento do SNS em 700 milhões de euros venha a ocorrer. “Todos nos lembramos dos cortes da troika e das cativações do Dr. Centeno e do Dr. Leão”, reforçou.

Pedro Falardo