A PSP efeutou buscas, ao longo da manhã desta quarta-feira, em vários concelhos do país, para deter o grupo responsável pelo furto das 57 armas Glock roubadas da Direção Nacional da PSP, no ano passado. Ao início da manhã havia quatro mandados de detenção emitidos, contra dois civis e dois agentes da PSP. 

Ao início da manhã a TVI24 conseguiu confirmar que tinham sido detidos dois polícias, que estavam no armeiro no momento do roubo, e um civil. Entretanto, pelas 12:00, tivemos a confirmação que o número total de detidos subiu para nove, sete dos quais são civis.

Perto das 13:00, mais ou menos a hora a que a operação terminou, a Procuradoria-Geral da República e a Polícia de Segurança Pública emitiram um comunicado adiantando que foram realizadas 15 buscas domiciliárias e quatro não domiciliárias, em vários concelhos do país e adiantou que quatro dos detidos foram apanhados em flagrante delito.

No decurso das diligências foram efetuadas nove detenções: sete detidos relacionados com o presente inquérito (três em cumprimento de mandados de detenção emitidos pelo Ministério Público e quatro em flagrante delito); outros dois detidos não relacionados com o presente inquérito, por posse de objetos proibidos".

Ao que a TVI24 apurou, o quarto suspeito de envolvimento neste furto já tinha sido detido pela PJ na segunda-feira (é a ele que corresponde o quarto mandado de detenção, que não foi cumprido por já se encontrar detido), no âmbito da operação relacionada com o assalto aos paióis de Tancos, o que pode indiciar que os dois crimes estarão ligados.

Em Albufeira, uma busca domiciliária fez um arguido, um jovem que não foi detido. Segundo apurou a TVI24, não foram encontradas Glock, tendo sido apreendido material ilícito irrelevante. 

Peculato, associação criminosa e tráfico de armas são os crimes em causa, sendo que foram apreendidas armas, droga e outros objetos no âmbito destas buscas, pelo que também apurou a TVI24 e que entretanto a PGR e a PSP confirmam em comunicado: 

Foram ainda apreendidas diversas armas, munições, material informático e equipamento de telecomunicações. Continuam a decorrer as diligências de recolha de prova no inquérito em apreço. O inquérito encontra-se em segredo de justiça".

Nesta operação, com o nome Ferrocianeto, estiveram envolvidos cerca de 150 polícias a realizar buscas nos concelhos de Vila Nova de Gaia, Gondomar, Mafra, Abrantes, Alvaiázere, Sintra, Cascais, Oeiras, Lisboa, Almada e Albufeira.

Um dos nove detidos chegou à esquadra da Divisão de Oeiras, por volta das 11:30, num carro descaracterizado da PSP. Vai ser o único que vai ali ficar, uma vez que só há um calabouço. Outro detido, ainda da divisão de Oeiras, ficará na esquadra de Queijas, onde também só há um calabouço. 

Algumas das armas roubadas em janeiro de 2017 têm sido recuperadas nos últimos meses.

Os dois polícias detidos trabalhavam no armazém, na sede da PSP, em Lisboa, onde as armas estavam guardadas e já estavam a ser investigados há vários meses. Logo quando o furto foi detetado, em janeiro de 2017, foram suspensos e sujeitos a processos disciplinares.

Os arguidos serão na quinta-feira presentes a um juiz de instrução criminal em Lisboa para conhecer as medidas de coação.

O processo relativo ao inquérito que investiga o furto de pistolas da Direção Nacional da PSP, ocorrido em janeiro de 2017, é tutelado pelo Ministério Público do Departamento de Investigação e Ação Penal (DCIAP) e coadjuvado pela Polícia de Segurança Pública (PSP).