O antigo comandante das Forças Terrestres (CTF) António Faria Meneses defendeu hoje, no parlamento, que o chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) e o ministro da Defesa deveriam ter-se demitido após o furto de Tancos.

Perante o cenário, só havia uma saída possível que era a demissão do CEME e do ministro da Defesa”, afirmou o general, que se afastou e passou à reforma após o furto, durante uma audição na comissão parlamentar de inquérito a Tancos.

Para Faria Meneses, a exoneração, e posterior readmissão, pelo CEME, Rovisco Duarte, dos comandantes responsáveis pela segurança das instalações dos paióis nacionais de Tancos, foi “um ato inqualificável” e quebrou a “coesão” dos generais e militares com o general que chefiava o ramo.

Como resposta à crise causada pelo furto de Tancos, em junho de 2017, revelou ter defendido, junto do general Rovisto Duarte e no Conselho Superior do Exército, que ele próprio, como comandante da Forças Terrestres e responsável pela segurança, e o general Campos Serafino, responsável pela Logística, deveriam demitir-se.

Uma semana depois do furto, o ex-CFT pediu uma reunião ao Presidente da República, mas não foi recebido no Palácio de Belém, relatou.

A explicação dada pelo chefe da Casa Militar da Presidência, segundo relatou, é que Marcelo Rebelo de Sousa já falara sobre a questão com os órgãos superiores do Exército e uma conversa com ele poderia ser entendida como "uma quebra" na cadeia de comando.

A única maneira de ser refundada a credibilidade da instituição militar era esta: os militares tinham de dar o primeiro passo e o primeiro passo era assumir as responsabilidades", referiu, acrescentando que era isso que queria dizer a Marcelo Rebelo de Sousa.

A referência a Marcelo mereceu um reparo do socialista Ascenso Simões, sugerindo que não se fizessem outras referências ao Presidente, que é também Comandante Supremo das Forças Armadas.

Na audição, o tenente-general leu parte de um diário que anotou naqueles dias seguintes ao furto, uma espécie de “fita do tempo”, e com base no qual relatou conversas com Rovisco Duarte.

Segundo disse, o ex-CEME comunicou-lhe da decisão de exonerar os cinco comandantes porque estava a ser sujeito a muitas pressões, que não identificou.

A pressão é muita, temos de fazer alguma coisa”, afirmou Faria Meneses, descrevendo o que Rovisco Duarte lhe disse numa conversa telefónica, no dia em que o então CEME anunciou a demissão dos cinco comandantes e da qual o ex-CFT discordava.

O caso do furto de material militar em Tancos ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos, numa operação do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sete militares da Polícia Judiciária Militar e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do crime.

A comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas no furto de material militar em Tancos, divulgado pelo Exército em 29 de junho de 2017, tem previstas audições a mais de 60 personalidades e entidades, vai decorrer até maio de 2019 e é prorrogável por mais 90 dias.

General assume responsabilidades

O general António Faria Meneses afirmou hoje que nunca pensou ser possível o furto dos paióis de Tancos e admitiu as suas responsabilidades enquanto comandante das Forças Terrestres (CFT) do Exército em 2017.

Se o Exército falhou em Tancos, eu falhei em Tancos”, assumiu, na audição na comissão parlamentar de inquérito ao furto de material militar dos paióis nacionais, o general Faria Meneses, que se afastou do cargo em julho, dias depois do furto, em junho de 2017.

Na audição, que começou às 17:00, na Assembleia da República, o general afirmou que o incidente “feriu a credibilidade das Forças Armadas” e foi uma “falha grave”.

Nunca pensei que fosse possível acontecer um assalto em Tancos", disse ainda.

Ricardo Bexiga, deputado do PS, questionou-o sobre o conhecimento que tinha das condições de segurança nas instalações de Tancos, nomeadamente um relatório de 2012, que fazia uma descrição exaustiva das falhas, por exemplo, ao nível da videovigilância, sensores e vedações, e também sobre se o efetivo de pessoal era o suficiente.

Faria Meneses reconheceu "tudo o que foi feito" e considerou que, "face à ameaça, recursos disponíveis, aprontamento de forças", o número de homens nas rondas era o suficiente.

Enganei-me, caiu a nódoa no meu pano", declarou, parafraseado o aforismo popular "no melhor pano cai a nódoa".

O caso do furto de material militar em Tancos ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos, numa operação do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sete militares da Polícia Judiciária Militar e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do crime.

A comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas no furto de material militar em Tancos, divulgado pelo Exército em 29 de junho de 2017, tem previstas audições a mais de 60 personalidades e entidades, vai decorrer até maio de 2019 e é prorrogável por mais 90 dias.