Rúben Couto, o estudante de Psicologia de 25 anos, suspeito do homicídio de Beatriz Lebre, vai aguardar julgamento em prisão preventiva. O juiz que o ouviu em primeiro interrogatório judicial justificou a medida de coação com a "forte indiciação" pela prática do crime, uma vez que o confessou, e com o perigo de atentar contra a própria vida, algo que já tinha tentado, ainda nos calabouços da Polícia Judiciária. 

O jovem foi ouvido este sábado pela juíza de Instrução Maria Antónia Andrade, um dia depois de o corpo ter sido encontrado no Rio Tejo, junto ao Porto de Lisboa. 

Optou por não prestar declarações e apenas respondeu às perguntas a que estava legalmente obrigado, que se prendem com a sua identificação. 

A defesa do arguido não se mostrou surpresa com a aplicação da medida de coação máxima. “Nem sequer nos opusemos à aplicação desta medida. Face aos indícios apresentados pelo Ministério Público e face ao perigo de o meu cliente atentar contra a própria vida, como aliás já o tinha feito", explicou o advogado Miguel Matias aos jornalistas. 

Rúben Couto vai aguardar os trâmites legais do processo no Estabelecimento Prisional de Lisboa. 

Natural de Elvas, Beatriz estava a viver em Lisboa na casa de um familiar. Foram os pais que participaram à PSP o desaparecimento, mas o simples desaparecimento de uma jovem maior de idade não é crime, existindo sempre a hipótese de ter ocorrido voluntariamente.

A Polícia Judiciária acabou por ter conhecimento do caso e, face a indícios recolhidos, passou a ser investigado pela secção de homicídios da diretoria de Lisboa, que avançou para o pior cenário.

O crime terá ocorrido na noite de 22 de maio, há uma semana, e em causa está uma relação obsessiva e um crime motivado por ciúmes. O homicídio terá sido cometido na casa da vítima, uma vez que os inspetores encontraram vestígios de sangue na habitação.

Ruben Couto chegou a participar nas buscas e a aproximar-se da família da vítima. Mas acabou por ser detido pela polícia e confessou o crime. 

Inês Pereira