(ACTUALIZADA ÀS 11:49)

O Presidente da República homenageou esta quarta-feira, em Santarém, Salgueiro Maia e «corrigiu» aquilo que várias personalidades da política e da sociedade consideram um «erro histórico».

Cavaco Silva que, enquanto primeiro-ministro, recusou há cerca de 20 anos uma pensão vitalícia ao capitão de Abril, «por serviços excepcionais e relevantes», aproveitou a celebração do 10 de Junho, em Santarém, para o homenagear.

O Presidente depositou uma coroa de flores junto ao monumento ao oficial de cavalaria, responsável pela rendição de Marcelo Caetano no quartel do Carmo, a 25 de Abril de 1974.

Há 20 anos, o gesto do então chefe do Governo provocou grandes protestos, tendo em conta que na altura foi concedida idêntica pensão a dois inspectores da extinta PIDE/DGS.

Esta manhã, em Santarém, o Chefe de Estado destacou o papel da «Escola Prática de Cavalaria e do jovem militar Salgueiro Maia que, em Abril de 1974, daqui saiu e marchou para Lisboa em nome dos ideais da democracia».

No mesmo discurso, Cavaco Silva enalteceu o papel dos militares que «em situações de grande dificuldade souberam sempre interpretar o sentimento do povo».

O Presidente da República sublinhou a importância das leis da Defesa Nacional e das Forças Armadas, recentemente aprovadas, que, na sua opinião, se complementam entre si e contribuem para uma maior eficácia e permitem a economia de meios.

Dirigindo-se aos militares e às intervenções em conflitos internacionais, no âmbito da ONU e da NATO, o Presidente advertiu: «Devemos continuar a honrar os compromissos com estas organizações». Ao mesmo tempo, expressou «o público reconhecimento às Forças Armadas pelo apoio às populações, salvando vidas».

Vasco Lourenço critica «homenagem à força»

O presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço, considera que a «sensação que fica é a de que (Salgueiro Maia) é homenageado à força».

«Em vida trataram-no muito mal e agora está a homenagear. E como o 10 de Junho é em Santarém era difícil não o homenagearem dado que ele é uma figura cimeira de Santarém», refere, em declarações à «TSF», o militar de Abril.

Vasco Lourenço desvaloriza a presente homenagem: «Há erros que se cometem e que não podem ser corrigidos» e lamenta não ter sido convidado para a cerimónia desta manhã: «Não fui convidado ou informado. É o país e os responsáveis políticos que temos, portanto é tudo natural», concluiu.
Redação / CR