Vários membros da direção da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, Açores, terão sido indevidamente vacinados contra a covid-19.

A TVI teve acesso a documentos que indiciam que, para além da inoculação ilícita, essa informação terá sido ocultada das listas de pessoas vacinadas naquela instituição.

Entre os alegados infratores estarão o provedor e a vice-provedora, que no início do mês também foi nomeada Diretora Regional para a Promoção da Igualdade no arquipélago.

A TVI teve acesso a listas de pessoal prioritário para receber a primeira dose a vacina contra a covid-19 no lar da Santa Casa da Misericórdia de Angra do Heroísmo e, na primeira lista de inoculados, para além dos funcionários e utentes, surgem os nomes de quatro membros da direção: três membros da mesa administrativa e o provedor, António Bento Barcelos.

Na segunda lista, que terá sido enviada às autoridades regionais de saúde, só um dos nomes se mantém. Os restantes terão sido ocultados.

Já a vice-provedora da instituição, também terá sido vacinada, apesar de não constar nem na lista original, nem na outra.

Os documentos a que a TVI teve acesso mostram que Lucília Fagundes terá recebido a primeira dose da vacina contra a covid-19 no dia 31 de dezembro de 2020. Ou seja, quatro dias depois do arranque do plano de vacinação em todo o país.

De forma informada, terá passado à frente na fila e escapado ao registo nas listas de pessoal já vacinado.

No dia 1 de fevereiro, foi nomeada Diretora-regional para a Promoção da Igualdade e Inclusão Social nos Açores, ''pelo seu adequado perfil e pela posse dos requisitos estabelecidos na lei para o exercício do cargo'', segundo o governo regional.

Contactada pela TVI, nem a provedoria nem a mesa administrativa da Santa Casa de Angra do Heroísmo prestaram esclarecimentos, em tempo útil.

João Morais do Carmo