Duas mulheres acusadas de terem burlado um padre com publicidade em listas telefónicas manifestaram esta terça-feira, no Tribunal de santa Maria da Feira, disponibilidade de reparar o lesado, pagando parte do prejuízo, adianta a Lusa.

Antes do início do julgamento, as arguidas chegaram a acordo com o pároco para pagar no presente mês cerca de três mil euros, correspondendo a metade do prejuízo alegadamente causado, disse àquela agência de notícias uma das advogadas no processo.

Depois de terem efetuado o respetivo pagamento, o tribunal deverá extinguir a responsabilidade criminal das mesmas, bem como da empresa que ambas representam.

Além destas duas mulheres, também um outro arguido já tinha chegado a acordo com o padre para reparar os prejuízos causados.

O julgamento deverá assim prosseguir com apenas duas mulheres e duas empresas, que respondem por um crime de burla qualificada.

O juiz acabou por adiar o início do julgamento para maio de 2019, porque o advogado de uma das empresas renunciou ao mandato.

Segundo a acusação do Ministério Público (MP), o esquema durou entre agosto de 2010 e fevereiro de 2011, causando um prejuízo de cerca de 120 mil euros às paróquias de Milheirós de Poiares (Feira) e Macieira de Sarnes (Oliveira de Azeméis), onde o padre exercia funções.

Durante este período, os arguidos terão contactado dezenas de vezes o pároco, convencendo-o a pagar faturas de publicidade em listas telefónicas, inserida à sua revelia e sem a prévia assinatura de contrato publicitário.

A vítima estranhava os contactos porque sabia que não tinha celebrado nenhum contrato de publicidade, mas os arguidos ameaçavam que se não pagasse a dívida esta iria ser exigida judicialmente e o padre, devido ao seu estado de saúde e à sua idade avançada, acabava por fazer o pagamento.

“A Paróquia, como instituição de acolhimento a quem precisa, não se pode dar ao luxo de gastar/esbanjar dinheiro, que é fruto das ofertas dos fiéis, em coisas supérfluas, quando tem tantas carências a quem dar resposta imediata (…). Já gastámos convosco muito para além do nosso parco orçamento. E o povo não nos perdoa!”, escreveu o padre, numa carta enviada a uma das empresas, onde pedia o cancelamento de futuras edições.

O despacho de pronuncia refere mesmo que a linguagem usada pelo assistente, a sua ingenuidade, remetendo logo no dia seguinte às solicitações os meios de pagamento das quantias exigidas, bem como os pedidos para o deixarem em paz e cancelarem de uma vez por todas as publicações, evidenciam “o estado de confusão” em que aquele se encontrava.