A Polícia Judiciária (PJ) lançou esta quarta-feira a “Operação Teia”, que investiga a viciação fraudulenta de procedimentos concursais e de ajuste direto, numa investigação que se centrou nas autarquias de Barcelos e de Santo Tirso e também no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto. Da operação resultaram, até ao momento, quatro detenções, englobando os presidentes das câmaras referidas e o presidente do IPO do Porto. A mulher do presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso também está detida.

A investigação, centrada nas autarquias de Santo Tirso, Barcelos e Instituto Português de Oncologia do Porto, apurou a existência de um esquema generalizado, mediante a atuação concertada de autarcas e organismos públicos, de viciação fraudulenta de procedimentos concursais e de ajuste direto com o objetivo de favorecer primacialmente grupos de empresas, contratação de recursos humanos e utilização de meios públicos com vista à satisfação de interesses de natureza particular”, afirma a PJ. Saiba quem são os suspeitos.

Joaquim Barbosa Ferreira Couto tem 68 anos e é presidente da Câmara Municipal de Santo Tirso desde 2013, cargo que já tinha ocupado entre 1982 e 1999.

O autarca, que é licenciado em Medicina pela Universidade de Medicina do Porto, tem um vasto currículo na política portuguesa, sempre como membro do Partido Socialista (PS).

De entre os vários cargos públicos exercidos por Joaquim Couto, destaca-se a participação como deputado na Assembleia da República na primeira legislatura do governo de José Sócrates, entre 2005 e 2009, altura em que foi membro da Comissão Parlamentar de Saúde e da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas. Foi ainda vereador na Câmara Municipal de Vila Nova de Gaia e governador civil do Porto.

Joaquim Couto foi distinguido com a Cruz de Mérito da Cruz Vermelha Portuguesa.

Da esquerda para a direita: Joaquim Couto, Miguel Costa Gomes e Laranja Pontes

A mulher de Joaquim Couto, Manuela Couto, também foi detida na “Operação Teia” e está implicada na “Operação Éter”, que também investiga suspeitas de corrupção e que tem Melchior Moreira, antigo presidente do Turismo do Porto e do Norte de Portugal como figura central, num caso que investiga ajustes diretos que lesaram o Estado.

Manuela Couto tem 48 anos e é administradora da W Global Communication (antiga Mediana). Foi obrigada a pagar uma fiança de 40 mil euros depois de ter sido detida em outubro de 2018, juntamente com mais quatro pessoas. No âmbito da "Operação Éter", Melchior Moreira continua em prisão preventiva.

Manuela Couto

O outro autarca detido é Miguel Jorge da Costa Gomes, de 61 anos. Presidente da Câmara Municipal de Barcelos desde 2009 - está, portanto, no último mandato consecutivo -  o militante do PS fez vida profissional como empresário nas áreas da indústria e serviços.

Miguel Costa Gomes foi constituído arguido no ano passado num processo de alegado favorecimento da Câmara Municipal de Barcelos a uma empresa de segurança.

O quarto detido é José Maria Laranja Pontes, natural do Porto e presidente do IPO do Porto desde 2006. Laranja Pontes, de 68 anos, licenciou-se em Medicina na Universidade de Medicina do Porto no mesmo ano em que Joaquim Couto terminou a licenciatura. É especialista em Cirurgia Plástica, Reconstrutiva e Estética

Foi nomeado para o cargo de presidente do IPO do Porto quando Joaquim Couto fazia parte da Comissão Parlamentar de Saúde, organismo responsável pelo aconselhamento da ministra da Saúde para nomeação de cargos públicos.  

Desde que assumiu a presidência do IPO do Porto, Laranja Pontes tem granjeado apoios diversos, entre os quais o do médico Manuel Pizarro, que quando era vereador do PS na Câmara Municipal do Porto falou de “um IPO antes de Laranja Pontes e um IPO depois de Laranja Pontes”. Laranja Pontes está no IPO do Porto há 30 anos.