Nenhuma das três amigas é assídua frequentadora do Santuário de Fátima. Mas é Helena Henriques, 50 anos, a que confessa com maior facilidade ter tido uma espécie de aversão pelo local.

Detestava vir a Fátima. Não me sentia bem aqui. Nunca consegui explicar os suores, as tonturas, as náuseas… Só quando construíram a Basílica da Santíssima Trindade é que comecei a sentir-me melhor neste recinto.”

 

Aquele monumento [aponta para a Basílica da Nossa Senhora do Rosário] é lindíssimo, mas desde miúda que sempre exerceu em mim uma energia negativa que nunca consegui explicar.”

Helena assegura que é crente e devota de Nossa Senhora e de Deus. Mas ainda hoje o local não lhe diz muito: “Achava e continuo a achar que o que venho aqui fazer posso fazer em qualquer igreja de Norte a Sul do país ou até em minha casa.”

Mas este ano, contra a vontade dos pais, que “temiam atentados e toda esta confusão”, Helena sentiu “o chamamento” e, juntamente com Isabel, vieram acompanhar a amiga Manuela Lucas, que “tinha mesmo de vir”.

Esta menina dizia que vinha nem que fosse sozinha. Não a podíamos deixar vir sozinha e predispusemo-nos a acompanhá-la”, explica Isabel Traquina, a mais velha das três.

De olhos rasos de água, encostadas ao muro da Basílica da Santíssima Trindade, Manuela revela as motivações para esta breve peregrinação – chegaram às 16:00 e preparam-se para deixar Fátima às primeiras horas deste sábado.

A minha mãe estaria aqui agora se fosse viva. Ela morreu em dezembro e o meu pai três semanas depois – morreu de amor. A minha mãe vinha sempre a Fátima. Eu tinha de vir por ela.”

Os segundos que se seguiram ao momento em que Manuela recordou os pais foram dos poucos em que se turvaram os rostos destas três amigas. Mas depressa voltou a boa disposição.

“Vamos lá sorrir, que a minha mãe ensinou-me a sorrir!”, alivia Manuela.

E, das conversas sérias, depressa divagam para o “bom aspeto dos agentes da GNR que estão à entrada no recinto”.

“Hoje senti calor humano”

Helena, Manuela e Isabel chegam a Fátima pela rotunda Norte, quando o Papa se preparava para aterrar no Estádio. “Corremos e ainda o vimos bem de perto. Passou mesmo ao pé de nós”, contam.

Confessam-se emocionadas. “Hoje senti calor humano, respeito. Senti que aqui somos mesmo todos iguais”, revela Isabel a mais experiente das três peregrinas.

A primeira vez que aqui vim tinha sete anos. Faz hoje precisamente 50 anos. Dormi debaixo de umas oliveiras. Foi nesse ano que Nossa Senhora foi coroada”, recorda.

Ainda assim, apesar da experiência, confessa não ser muito assídua: “Sou muito crente, mas prefiro ficar a ver na televisão. Venho muitas vezes, em dias normais. A 13 de Maio, não me lembro de cá ter voltado.”