O Ministério Público (MP) quer que os peritos ouvidos sobre o depósito de resíduos industriais em São Pedro da Cova, concelho de Gondomar, prestem mais esclarecimentos para apurar se existe “dano na saúde e na vida das pessoas”.

De acordo com requerimento ao qual a Lusa teve acesso, o MP exige que seja respondida a pergunta, entre outras: “Há ou não sérias razões para se concluir, em termos científicos, que os pós de despoeiramento depositados nas antigas minas de carvão de São Pedro da Cova, nas condições em que ali o foram e ainda estão depositados [sem protecção basal ou outra], possam causar dano na saúde e na vida das pessoas de S. Pedro da Cova ou outras que venham a ter contacto, por ingestão ou outra forma, com tais pós ou os seus lixiviados, e com que grau de probabilidade?”.

No documento assinado pelo procurador da República Carlos Teixeira, também é questionado “se, tendo em conta a quantidade de pós de despoeiramento depositados, a circunstância de o chumbo presente em tais pós de despoeiramento ser lixiviável ou solúvel em pHs alcalinos (…) pode concluir-se em termos científicos que, enquanto ali estiverem depositados [os resíduos] constituem um perigo para a saúde e vida das pessoas”.

Estas perguntas, entre outras, surgem depois de na quarta-feira passada, peritos ouvidos num tribunal do Porto terem respondido com interrogações a perguntas sobre os danos concretos que os resíduos industriais perigosos depositados em São Pedro da Cova, Gondomar, possam ter provocado na população.

Os resíduos “representam sempre um perigo para a saúde, por causa do chumbo. Se efetivamente causaram dano, não sei”, disse o perito António Fiúza, um professor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, em resposta a perguntas do MP junto do tribunal criminal de São João Novo, no Porto.

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