Há 18 bombeiros dos Sapadores de Braga infetados com coronavírus, mas nem todos os profissionais foram testados. A denúncia é do Sindicato Nacional dos Sapadores Bombeiros.

Apenas foi testado o turno do primeiro infetado, o comandante, o adjunto do comando, a telefonista e as técnicas de manutenção do quartel”, explica Ricardo Cunha, vogal do sindicato

A Câmara Municipal de Braga, contactada pela TVI, diz que os testes apenas devem ser feitos a quem teve contacto com os infetados.

Não é uma questão de indisponibilidade de testes. É uma questão de não existir razoabilidade e fundamento para os fazer salvo em situações de sintomatologia que possam ocorrer (e que não ocorreram já lá vão 10 dias desde a deteção do primeiro caso).”, afirma Ricardo Rio, Presidente da Câmara Municipal de Braga

Mas o entendimento do sindicato e dos bombeiros vai além da explicação do autarca.

O contágio não é só por contacto direto. Como o turno dos infetados partilhou as mesmas instalações, a probabilidade de contágio entre os outros turnos é alta, até porque a Câmara Municipal tomou tardiamente medidas de contingência e as instalações não estavam a ser desinfetadas. Isso só aconteceu depois de se confirmarem os primeiros 16 casos de infeção”, garante Ricardo Cunha.

Para o autarca só devem ser testados os profissionais diretamente envolvidos num foco de contágio.

“É nosso entendimento, e de todas as entidades que tutelam esta matéria, que só devem ser testados os profissionais directamente envolvidos num potencial foco de contágio. Não é por aparecer um caso num Comando de polícia que todos os agentes são testados, nem por aparecer num profissional de saúde que se testa todo um hospital…”, defende o autarca

O Sindicato queixa-se da falta de diálogo por parte da Câmara e vai mais além: "O Sindicato teve conhecimento de que houve uma certa coação no intuito de evitar que os bombeiros falassem com sindicatos e comunicação social. Nós só queremos que os bombeiros e as famílias fiquem descansados”, explica Ricardo Cunha.

O Comandante dos Sapadores de Braga também foi contactado pela TVI e remeteu as questões para a Câmara Municipal que desvaloriza o assunto.

“Quanto às pressões sobre os bombeiros, não só as desconheço em absoluto, como nem estou a ver o que se passa no quartel que não possa ser reportado para o exterior”, diz o autarca

Depois do sindicato ter tentado contactar a Câmara Municipal e a DGS, sem resposta, enviou uma carta ao Presidente da República e espera agora a intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa.

Cátia Esteves