Os bombeiros profissionais vão aderir à greve da função pública em 14 e 15 de fevereiro devido “ao impasse das negociações” com o Governo sobre as carreiras, aposentação e vencimentos, anunciou esta sexta-feira a Associação Nacional dos Bombeiros Profissionais.

A decisão da adesão à greve de dois dias da função pública foi tomada durante o conselho geral alargado da Associação Nacional de Bombeiros Profissionais e do Sindicato Nacional de Bombeiros Profissionais (ANBP/SNBP) realizado na quinta-feira sobre “o impasse nas negociações” com o Governo em relação ao estatuto profissional.

O presidente da ANBP, Fernando Curto, disse à Lusa que os bombeiros profissionais estão descontentes e vão avançar com mais ações de luta em todo o país caso o Governo não altere o estatuto profissional e as negociações não tenham uma evolução positiva.

“Se não houver fumo branco..."

Fernando Curto adiantou que os novos protestos vão depender da forma como vai decorrer a reunião com o secretário de Estado da Proteção Civil marcada para a próxima semana.

Se não houver fumo branco na próxima reunião, vamos entrar em luta”, disse, sublinhando, que a proposta do Governo é conhecida quase há quatro meses, mas as negociações continham ainda num impasse.

O presidente da ANBP frisou que os bombeiros profissionais “correm o risco” de não verem aprovada mais uma vez a legislação sobre a classe devido ao aproximar do fim da legislatura.

Em causa está o novo estatuto profissional que regula a carreira especial de sapador bombeiro e de oficial sapador aprovada na generalidade pelo Governo a 25 de outubro de 2018, bem como o novo regime de aposentação.

Esta proposta do Governo cria uma carreira unificada para os bombeiros municipais e sapadores e novas tabelas remuneratórias, além de integrar os operacionais da Força Especial de Bombeiros e os trabalhadores do Instituto de Conservação Natureza e das Florestas (ICNF) que desempenham funções de sapador florestal.

A ANBP e o SNBP contestam o facto de o Governo querer profissionalizar os bombeiros, mas com “ordenados baixos” e uma “desvalorização das carreiras”.

Fernando Curto frisou que as câmaras municipais “não podem estar a inviabilizar” uma reivindicação dos bombeiros profissionais que tem mais de 10 anos ao não quererem aumentar os salários.

Com esta legislação a segurança das populações está em causa”, disse, frisando que os bombeiros profissionais vão continuar a lutar pelas as carreiras, aposentação e vencimentos.