Quatro sargentos instrutores do curso de Comandos, ouvidos esta terça-feira pelo Ministério Público, refutaram responsabilidades na morte dos recrutas Hugo Abreu e Dylan da Silva e negaram ter infligido maus tratos, disse à agência Lusa o advogado dos arguidos.

Varela de Matos contou que os seus constituintes foram ao Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa para declarar “que não tinham qualquer responsabilidade nos trágicos acontecimentos” de 4 de setembro de 2016 e que “nunca infligiram quaisquer maus tratos aos instruendos”.

O advogado acrescentou que o processo tem atualmente 25 arguidos constituídos e que a acusação, conforme informou o Ministério Público, “será deduzida até final de junho”.

O inquérito do Ministério Público investiga a morte dos dois recrutas e também factos relacionados com outros instruendos que receberam assistência hospitalar, durante o treino do 127.º Curso de Comandos, na região de Alcochete, distrito de Setúbal, a 4 de setembro.

Segundo o Ministério Público, num despacho de novembro, a natureza dos crimes e a atuação dos suspeitos revelam "personalidades deformadas, (...) com vista a criar um ambiente de intimidação e de terror, bem como sofrimento físico e psicológico nos ofendidos, sujeitando-os a tratamento não compatível com a natureza humana".

Os envolvidos, adianta o despacho, tinham conhecimento que com as elevadas temperaturas que se faziam sentir e a privação de água, os instruendos não estavam em condições físicas e psíquicas de prosseguir a instrução.

No entender do Ministério Público, "a atuação reiterada dos suspeitos" revela um "manifesto desprezo pelas consequências gravosas que provocam nas vítimas, tratando os instruendos como pessoas descartáveis".