O secretário de Estado da Saúde admite que há «um número muito significativo» de camas hospitalares ocupadas por pessoas que não têm para onde ir, embora considere que a rede de cuidados continuados está a avançar a bom ritmo, informa a agência Lusa.

«De acordo com padrões europeus, o país devia ter 15 a 16 mil camas. Temos actualmente cerca de 2400 e teremos 5000 até ao final do ano. Posso supor que [as camas ocupadas nos hospitais por razões sociais] são um número muito significativo por aquilo que é o cálculo das necessidades para cobrir adequadamente a população portuguesa», afirmou aos jornalistas Manuel Pizarro.

Durante uma conferência de imprensa promovida pela Ordem dos Enfermeiros sobre as unidades de cuidados na comunidade, a bastonária Maria Augusta Sousa, que chamou a atenção para o assunto, referiu que os hospitais necessitam de fazer um grande esforço para continuar a prestar cuidados a estas pessoas, «que precisam de ser vigiadas».

«Há muitos casos em que não há sítios para onde mandar as pessoas. As pessoas não têm para onde ir e passa a uma cama ocupada por razão social; é uma cama que não devia estar ocupada por essa pessoa», comentou.

Segundo o secretário da Estado da Saúde, a rede de cuidados continuados integrados (que integra camas de convalescença ou doentes crónicos), que começou a ser constituída em 2006, deverá atingir as 15 mil camas dentro de 10 anos, estando actualmente mais avançada do que o inicialmente previsto.

As unidades de cuidados na comunidade (UCC) poderão, segundo a Ordem dos Enfermeiros, ajudar a dar apoio, nomeadamente domiciliário, a estes caos sociais que permanecem sem necessidade clínica nos hospitais.

As UCC, a integrar nos centros de saúde, terão como missão principal prestar cuidados e apoio psicológico e social, especialmente a pessoas, famílias e grupos mais vulneráveis, em situação de maior risco ou dependência física.
Redação / FC