O Hospital de São João, no Porto começou esta manhã a desmontar o hospital de campanha que tinha sido instalado pelo INEM em março de 2020, para ajudar a combater a pandemia.

Fernando Araújo, diretor do conselho de administração, explica que se tratou de um plano de contingência mas que hoje já não é necessário, uma vez que a situação covid está "estabilizada" e, por outro lado, há uma resposta integrada dentro do hospital:

Não entendemos que [o desmontar] seja prematuro face ao que temos previsto da evolução da própria pandemia e ao que as próprias entidades de saúde preveem, e, acima de tudo, isto foi um plano de contingência, era necessário dar uma resposta em poucos dias a um número elevado de doentes”, diz.

"Agora temos seguramente uma forma diferente de funcionar e aprendemos, durante estas quatro ou cinco vagas, uma forma de responder dentro do hospital. Portanto este plano de contingência neste momento deixou de ser necessário, felizmente para todos" explica.

É um sinal de enorme esperança para o futuro. Conseguimos superar [as dificuldades da pandemia] e agora podemos olhar para o futuro de forma diferente e muito positiva", diz.

Pelas 11:30, cinco técnicos do INEM desmontavam as últimas duas tendas que ao longo de 18 meses e até sexta-feira auxiliaram na resposta do Serviço de Urgência daquela unidade hospitalar. Alguns contentores ainda irão manter-se no exterior, numa primeira fase em que há ainda necessidade de "uma triagem avançada de doentes com patologia respiratória", mas ao longo do próximos meses, esse serviço será reintegrado no próprio hospital.

Foi uma experiência que vai ficar para o futuro, a capacidade de reorganizarmos e trabalharmos em conjunto", acrescenta Fernando Araújo, sobre o trabalho conjunto do SNS com o Sistema Integrado de Emergência Médica.

Neste momento, o Hospital de São João está já a preparar o Inverno, aproveitando toda a experiência adquirida ao longo dos últimos 18 meses de pandemia: "Já não haverá necessidade de hospital de campanha, o hospital ficou preparado, houve investimento em obras, em estruturas, em pessoas, e vamos continuar numa nova fase deste investimento", garante.

Este foi o primeiro hospital de campanha a ser instalado no país e é o último a ser desmantelado. A sua desinstalação tem, por isso, também uma carga simbólica importante, refere Luís Meira, presidente do conselho diretivo do INEM, sublinhando que se poderá "em poucas horas poderemos, se for necessário, voltar a montar uma estrutura semelhante".

E deixa o alerta: "A pandemia ainda persiste, não desapareceu porque se desmontaram meia dúzia de tendas que estavam à porta do hospital, temos ainda muito por fazer, todos nós".

Maria João Caetano