A ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou que haverá uma reunião na segunda-feira para avaliar a situação na região de Lisboa e Vale do Tejo e que contará com a presença do primeiro-ministro, do presidente da Área Metropolitana de Lisboa e dos presidentes da Câmara dos cinco concelhos mais afetados, Amadora, Lisboa, Loures, Odivelas e Sintra.

Decidimos tomar desde logo uma iniciativa que se prende com a realização na segunda-feira de uma reunião com o primeiro-ministro, com o presidente da Área Metropolitana de Lisboa e os presidentes de Câmara." 

A governante explicou que a reunião tem como objetivo “o aprofundamento daquilo que são as medidas de supressão da doença nas freguesias nas áreas que têm maior incidência de doença".

Estando agora a situação que nos inspira maior preocupação circunscrita a cinco concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, dentro deles distribuída de forma não perfeitamente simétrica, com uma clara identificação das freguesias onde há maior incidência, decidimos tomar desde logo uma iniciativa que se prende com a realização de uma reunião na próxima segunda-feira de amanhã”, disse Marta Temido.

A governante anunciou ainda o lançamento do programa "Bairros Saudáveis", que terá como objetivo financiar e promover "iniciativas de saúde publica em bairros onde há constrangimentos".

Questionada sobre a hipótese da implementação de cercas sanitárias nos concelhos mais afetados, Marta Temido afirmou que "neste momento está em causa a intervenção com iniciativas que não terão essa magnitude, essa abrangência".

A ministra salientou que "os portugueses fizeram sacrifícios enormes" e que "o Ministério da Saúde não irá correr o risco de deixar que esse esforço seja desperdiçado". "Isto é uma maratona, não é um sprint", acrescentou.

Não é possível baixar a guarda. Estão redondamente enganados os que pensam que poderão voltar às suas vidas, na normalidade anterior. Isso só acontecerá quando uma vacina ou um tratamento eficaz forem descobertos", sublinhou Marta Temido.

Ministra descarta cerca sanitária no Algarve

Já sobre a situação que se verifica no Algarve, nomeadamente depois do surto que teve origem numa festa ilegal, em Lagos, a ministra da Saúde descartou a possibilidade de uma cerca sanitária na região, referindo que esta medida não impede as pessoas de terem comportamentos de risco.

Não está em causa um cerco sanitário. Não é um cerco sanitário que institui a racionalidade suficiente para as pessoas se absterem de comportamentos que põem em causa a sua própria saúde como das pessoas que lhe estão próximas."

Marta Temido considerou que o surto em Lagos, resultante de festa ilegal, poderia ter sido evitado, salientando que é uma situação que "penaliza enormemente" o país.

Por sua vez, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, confirmou que estão identificados 90 casos positivos associados ao surto de Lagos, incluindo crianças com menos de 9 anos de idade.

A responsável da Direção-Geral da Saúde usou também o exemplo do Algarve para justificar que é necessário parcimónia e critério na permissão de ajuntamentos e convívios, quando questionada sobre a reabertura de bares e discotecas.

"A DGS está muito sensível que a economia funcione, mas temos que ter a situação epidemiológica controlada", disse, sem avançar com medidas ou datas para este setor, apenas salientando que não será possível "fazer festas" como se faziam antes da pandemia.

Portugal registou, nas útlimas 24 horas, três mortos e 375 novos casos de infeção pelo novo coronavírus. Só a região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT) regista 284 novos casos, 75,7% do total de novas infeções. Na região de LVT, a pandemia atingiu já os 16.255 casos confirmados. 

Sofia Santana